Multiplicação para o desenvolvimento
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segunda-feira, 31 de dezembro de 2018
Isabela Fleischmann <br> Reportagem Local </br> 
Cássio Hideo Onohara, 28, Eros Secundus Canto, 31, Pedro Retz de Oliveira, 28, e Pedro Siqueira Lopes, 28, ingressaram em 2010 no curso de Arquitetura e Urbanismo da UEL (Universidade Estadual de Londrina). Sete anos depois, em janeiro de 2017, eles criaram a Quatro Fatorial, um escritório de arquitetura. Jovens, resolveram inovar. Usualmente, os escritórios têm um arquiteto principal, que dá o nome ao local, e pessoas contratadas para trabalhar com ele. No Quatro Fatorial, todos são associados. "A gente não tem funções muito definidas, são os quatro fazendo tudo. A gente não tem um estagiário, não temos ninguém contratado para fazer alguma coisa específica administrativa. É horizontal", explicou Retz. A associação, ou a agregação de força de trabalho, é uma forma de tentar despontar no mercado cada vez mais competitivo e que possui certas "grifes". A junção de forças vem para dar sustentabilidade para se fixar no segmento, principalmente para quem está começando. "A gente trabalha em casa. Mas também é um diferencial por necessidade, porque a gente está começando, e nesse período que a gente começou o escritório foi difícil dentro da área de construção civil", acrescentou Retz.

Futuramente, os arquitetos pretendem alugar um espaço em conjunto com outros profissionais. "Também para reduzir custos, mas é interessante ter essa diversidade multidisciplinar dentro de um espaço em que a gente consiga tirar dúvidas com outros profissionais ou pegar sugestões, é positivo".
O nome da empresa vem dessa multiplicação, explicou Secundus. "Quatro fatorial seria 24, quatro vezes três vezes dois. Quanto mais gente for possível agregar, melhor", incluiu Lopes. Os arquitetos acreditam que quando se tem um só arquiteto, ele faz apenas um serviço. Quando se tem dois arquitetos, não se trata de um serviço equivalente à soma de duas pessoas, mas sim a multiplicação. Para Retz, assim é possível trabalhar além do que duas pessoas individualmente fariam. "Não é só a soma desse serviço, você tem essa multiplicação por conta de um dar uma sugestão e o outro contrapor. Pensar uma coisa aqui e outra lá".
Onohara lembrou que o grupo acredita muito na força entre as ideias de arquitetos e engenheiros. "Não é à toa que fizemos uma parceria com outra arquiteta amiga, que estava sozinha e quis fazer um projeto conosco e acabamos juntando. A gente está aberto". Os arquitetos perceberam que as pessoas sozinhas têm grande dificuldade para iniciar um escritório. "Os medos do mercado profissional são grandes, principalmente para a responsabilidade e o papel do arquiteto e o que a gente faz dentro da cidade. É interessante a gente ter esse conjunto para tirar as dúvidas, para se ter um pouco mais de segurança no que a gente faz".
UNIÃO DO OFÍCIO
Há seis meses o grupo tem proposto reuniões mensais com outros arquitetos da cidade. "A gente percebeu que os escritórios têm medo de trocar experiência, talvez justamente pelo medo de perder cliente", contou Lopes. A ideia das reuniões surgiu de um amigo de Retz, de São Paulo, que presta consultorias sobre gerenciamento de empresas. "Fizemos uma troca de serviços, trocamos um projeto da área de lazer da casa dele por essa consultoria. Durante esse processo ele comentou de um grupo de empresários de São Paulo que faz todo mês um café da manhã com esse propósito de conhecer as pessoas, trocar ideias. Ele percebeu essa necessidade nossa e sugeriu essas reuniões", contou Retz.
A arquiteta Maria Carolina Rizola, 27, tem seu próprio escritório, mas contou que costuma trocar experiência com outros profissionais. "Costumo trocar informações, já trabalhei no formato de parceria com outros arquitetos em alguns projetos, mas não o tempo todo. Ao trocar informações um passa mais segurança para o outro, discute a melhor forma de se fazer. Mesmo quando eu não estou trabalhando em parceria, gosto de pedir opinião aos amigos de profissão".
A concorrência entre os escritórios tem "cada vez mais caído por terra", segundo Rizola. "Ainda existem alguns profissionais que pensam dessa forma, de que é concorrência, mas eu acredito que hoje em dia, principalmente com os profissionais mais novos que estão no mercado de trabalho, acho que há mais ajuda, indicação de mão de obra e fornecedores, por exemplo. Tem campo para todo mundo, é uma profissão que abrange várias áreas".
Enquanto isso, a ideia do Quatro Fatorial é que cada encontro seja no escritório dos arquitetos participantes da reunião. "Em cada encontro temos um tema, mas é só para nortear", explicou Lopes. Os encontros servem para os profissionais falarem do que estão passando, exporem dificuldades e possíveis resoluções. Podem participar dos encontros profissionais da construção civil, arquitetos e engenheiros, consultores de venda, designers e fornecedores de móveis. "A gente sente que os arquitetos são muito individuais hoje. Acabam tendo valores discrepantes, alguns cobram um preço muito mais baixo e a gente sabe que é um serviço que dá muito trabalho, então se a gente não se fortalece, entre nós, acaba desvalorizando nossa profissão", afirmou Onohara.
O compartilhamento de ideias entre os arquitetos associados é, para os profissionais, a principal vantagem de se trabalhar em conjunto. Ganha-se em qualidade de projeto, contatos e manejo dos clientes. "A gente passa por um projeto com quatro cabeças diferentes e cada um tem uma experiência, um aprendizado. Temos a mesma linguagem, isso é legal, cada um com suas especificidades, mas a gente tem certeza que naquele projeto a gente já viu tudo que podia ser dentro da nossa cabeça", contou o arquiteto Pedro Siqueira Lopes.


