O modelo e advogado José Henrique Claus, 26: "Como modelo, aprendi a ter postura profissional e a carreira acaba aumentando a minha rede de relacionamentos"
O modelo e advogado José Henrique Claus, 26: "Como modelo, aprendi a ter postura profissional e a carreira acaba aumentando a minha rede de relacionamentos" | Foto: O modelo e advogado José Henrique Claus, 26: "Como modelo, aprendi a ter postura



É bem comum encontrar pessoas que ao menos uma vez tenham sonhado com a profissão de modelo/manequim. Contudo, a realidade do ofício, por envolver glamour, exige atenção redobrada de quem segue ou pretende seguir essa carreira e gerar renda, uma vez que os riscos ao bolso e à imagem são grandes. Entendendo isso, dá para literalmente encarar as câmeras e passarelas que por conta do amadurecimento do próprio mercado e das estratégias de vendas ampliaram significativamente o perfil de quem pode ser o "cabide vivo" de tal produto ou marca, até porque está na moda acolher toda a diversidade.

O ex-modelo, fotógrafo e agente Nilson Caetano, 42, fala com propriedade desse mercado profissional e a transformação. Natural do município de Jardim Alegre, distante a 150 quilômetros de Lodrina, no Vale do Ivaí, até os 24 anos de idade ele trabalhou com a família em um depósito de material de construção e nem fazia ideia do que era a profissão. "Tudo mudou quando em um shopping de Londrina, um caça-talentos me abordou, convidou para conhecer a agência e minha vida enveredou para o universo da moda", recorda.

Desde então, Caetano trabalha no Stúdio Desirée Soares – Escola e Agência de Modelos. "Trabalhei seis anos como modelo, passei para agente e, nos últimos dois anos, priorizei a fotografia de moda, a ponto de me especializar em Paris (França). Realmente, a profissão de modelo me possibilitou um aprendizado completamente diferente do que imaginava antes de ser descoberto", admite.

Isso, no entanto, não compromete a visão dele sobre a profissão e o mercado. "Trabalhei em importantes campanhas nacionais e atuei em São Paulo, que é outro mercado. Para o profissional que está em Londrina e não quer se mudar, o foco é tudo que está relacionado ao polo de vestuário", avalia. Segundo ele, os ganhos da profissão são bastante variáveis, uma diária de trabalho pode ir de R$ 200 a R$ 1,9 mil, no mercado local, embora essas cifras dependam de diversos fatores, desde o momento do modelo (se está começando ou é experiente, bem como o quão "querido ou querida" é pelas marcas).

O fotógrafo conta que, ao contrário da maioria das profissões, a de modelo remunera melhor as mulheres. "Modelos masculinos normalmente ganham um cachê em torno de 65% do valor pago ao da menina para o mesmo trabalho", constata. "O modelo em Londrina, na maioria das vezes, não vive só da profissão, tanto que depois de seis anos só como modelo passei a ser agente. Na região, é uma atividade ideal para quem busca um trabalho com jornada flexível para poder estudar ou complementar uma segunda atividade profissional", destaca.

Incentivada pela mãe, Eduarda Guarnieri Pedrão, 16, fez curso de modelo e assinou contrato com uma agência
Incentivada pela mãe, Eduarda Guarnieri Pedrão, 16, fez curso de modelo e assinou contrato com uma agência



Começando a carreira
É o caso do modelo e advogado José Henrique Claus, 26 anos, que incentivado pela madrasta fez o curso de modelo, no mesmo ano em que ingressou no curso de Direito da UEL (Universidade Estadual de Londrina), em 2011. "Consegui conciliar os estudos com o curso, o que me ajudou a manter as despesas de universitário, já que saí de Bituruna para estudar", conta. "Depois que me formei, entre 2015 e 2016, peguei ainda mais trabalhos, chegando a receber R$ 3 mil só como modelo, embora também teve mês que trabalhei uma vez apenas, e o ganho ficou em R$ 500", revela.

Claus conta que as duas profissões juntas acabam trazendo uma série de vantagens para a prospecção de novos trabalhos. "Como modelo, aprendi a ter postura profissional e a carreira acaba aumentando a minha rede de relacionamentos e contatos, o que é fundamental para um advogado, até porque sempre alguém tem alguma questão jurídica, ainda mais na minha atual área de atuação que envolve direitos e deveres de consumidores e fornecedores", acredita.

Também visando a formação para o mercado de trabalho como um todo, Eduarda Guarnieri Pedrão, 16, foi incentivada pela mãe, a cirurgiã dentista Márcia Guarnieri Vasconcellos, a aceitar o convite da agência, fazer o curso e assinar contrato com a Forum Model Management, que recentemente inaugurou uma unidade em Londrina. "Não sabemos o futuro, embora mesmo sem curso ela demonstre uma desenvoltura de quem nasceu para isso. Mas acho extremamente importante, tanto para ela eliminar complexos da idade, implica com o braço fino, por exemplo, até pela experiência de trabalhar, ganhar o próprio dinheiro e as exigências do mercado de trabalho", justifica.

"Ela é tímida demais, acho que o curso ajudará nisso, claro que sem perder o foco nos estudos e em cursar uma faculdade", acrescenta. Outro aspecto positivo, na opinião de Márcia, é a educação financeira para a filha. "Com as redes sociais e a internet, essa meninada apurou o gosto e prefere uma blusa de marca do que várias, só que é pesado o custo disso. Nada como ganhar o próprio dinheiro para perceber", prevê.

Bem na foto
Confira o que esperar do mercado e o que fazer para ter sucesso

■ Muito antes da nova lei da terceirização, eis uma atividade que o ganho é por trabalho. As diárias variam muito. Tenha em mente o custo que você tem para se deslocar, manter a aparência, etc. Evite "pagar para trabalhar"
■ Antes de assinar contrato com uma agência, preste atenção nos termos e no percentual que terão sobre o cachê. Normalmente varia de 30% a 35%
■ As agências que não visam lucrar com o comércio de cursos e sim buscam profissionais que possam trabalhar como modelos, não abordam as pessoas pelas redes sociais
■ Compare os preços de books e cursos e procure levantar informações sobre a idoneidade da agência
■ Aja como em qualquer profissão: respeite horário, seja pró-ativo, humilde, educado e trabalhe bem em equipe, pois a parte da boa aparência é condição essencial nessa atividade, o diferencial está no profissionalismo.

Modelo com DRT

"Em meio ao meu período sabático surgiu um convite e acho que pode dar certo, pois sempre gostei de moda", diz a ex-bancária Miriam Rubim, 49, que está fazendo curso de modelo
"Em meio ao meu período sabático surgiu um convite e acho que pode dar certo, pois sempre gostei de moda", diz a ex-bancária Miriam Rubim, 49, que está fazendo curso de modelo | Foto: Marcos Zanutto



O curso de modelo permite que o profissional tenha um registro na DRT (Delegacia Regional do Trabalho), obtido a partir da aprovação feita por uma banca do SIMM (Sindicato de Manequins e Modelos). Tal registro é pré-requisito em desfiles, o SIMM fiscaliza isso.

No caso de modelos fotográficos e para ações promocionais, segundo o diretor da agência Forum Model Management, Guilherme Schneider, não há necessidade de se ter DRT. "Nosso curso, por exemplo, foca em preparar o profissional para o que o mercado precisa e, no caso das profissionais que não vão para a passarela, não vejo necessidade", comenta.

O diretor reconhece que a diversidade transformou o mercado. "A passarela passou a trazer a diversidade que foi absorvida pela publicidade e, por esta razão, abriu um leque de trabalho muito interessante para pessoas que não têm a dita beleza padrão, da modelo jovem, linda e de até 22 anos. Tenho um modelo de 69 anos na agência, por exemplo, que está mais ativo que muitos outros contratados. O fundamental é criar identificação com o conceito daquilo que está sendo comunicado na campanha", informa.

É apostando nessas novas possibilidades que após 30 anos trabalhando em instituições financeiras, a ex-bancária Miriam Regina Rubim, 49, está fazendo o curso de modelo. "Em meio ao meu período sabático surgiu um convite e acho que pode dar certo, pois sempre gostei de moda e acho que estou bem para representar a minha idade", argumenta. (M.M.)

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