Muitos lugares ao sol
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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
Magaléa Mazziotti<br>Reportagem Local 

É bem comum encontrar pessoas que ao menos uma vez tenham sonhado com a profissão de modelo/manequim. Contudo, a realidade do ofício, por envolver glamour, exige atenção redobrada de quem segue ou pretende seguir essa carreira e gerar renda, uma vez que os riscos ao bolso e à imagem são grandes. Entendendo isso, dá para literalmente encarar as câmeras e passarelas que por conta do amadurecimento do próprio mercado e das estratégias de vendas ampliaram significativamente o perfil de quem pode ser o "cabide vivo" de tal produto ou marca, até porque está na moda acolher toda a diversidade.
O ex-modelo, fotógrafo e agente Nilson Caetano, 42, fala com propriedade desse mercado profissional e a transformação. Natural do município de Jardim Alegre, distante a 150 quilômetros de Lodrina, no Vale do Ivaí, até os 24 anos de idade ele trabalhou com a família em um depósito de material de construção e nem fazia ideia do que era a profissão. "Tudo mudou quando em um shopping de Londrina, um caça-talentos me abordou, convidou para conhecer a agência e minha vida enveredou para o universo da moda", recorda.
Desde então, Caetano trabalha no Stúdio Desirée Soares Escola e Agência de Modelos. "Trabalhei seis anos como modelo, passei para agente e, nos últimos dois anos, priorizei a fotografia de moda, a ponto de me especializar em Paris (França). Realmente, a profissão de modelo me possibilitou um aprendizado completamente diferente do que imaginava antes de ser descoberto", admite.
Isso, no entanto, não compromete a visão dele sobre a profissão e o mercado. "Trabalhei em importantes campanhas nacionais e atuei em São Paulo, que é outro mercado. Para o profissional que está em Londrina e não quer se mudar, o foco é tudo que está relacionado ao polo de vestuário", avalia. Segundo ele, os ganhos da profissão são bastante variáveis, uma diária de trabalho pode ir de R$ 200 a R$ 1,9 mil, no mercado local, embora essas cifras dependam de diversos fatores, desde o momento do modelo (se está começando ou é experiente, bem como o quão "querido ou querida" é pelas marcas).
O fotógrafo conta que, ao contrário da maioria das profissões, a de modelo remunera melhor as mulheres. "Modelos masculinos normalmente ganham um cachê em torno de 65% do valor pago ao da menina para o mesmo trabalho", constata. "O modelo em Londrina, na maioria das vezes, não vive só da profissão, tanto que depois de seis anos só como modelo passei a ser agente. Na região, é uma atividade ideal para quem busca um trabalho com jornada flexível para poder estudar ou complementar uma segunda atividade profissional", destaca.

Começando a carreira
É o caso do modelo e advogado José Henrique Claus, 26 anos, que incentivado pela madrasta fez o curso de modelo, no mesmo ano em que ingressou no curso de Direito da UEL (Universidade Estadual de Londrina), em 2011. "Consegui conciliar os estudos com o curso, o que me ajudou a manter as despesas de universitário, já que saí de Bituruna para estudar", conta. "Depois que me formei, entre 2015 e 2016, peguei ainda mais trabalhos, chegando a receber R$ 3 mil só como modelo, embora também teve mês que trabalhei uma vez apenas, e o ganho ficou em R$ 500", revela.
Claus conta que as duas profissões juntas acabam trazendo uma série de vantagens para a prospecção de novos trabalhos. "Como modelo, aprendi a ter postura profissional e a carreira acaba aumentando a minha rede de relacionamentos e contatos, o que é fundamental para um advogado, até porque sempre alguém tem alguma questão jurídica, ainda mais na minha atual área de atuação que envolve direitos e deveres de consumidores e fornecedores", acredita.
Também visando a formação para o mercado de trabalho como um todo, Eduarda Guarnieri Pedrão, 16, foi incentivada pela mãe, a cirurgiã dentista Márcia Guarnieri Vasconcellos, a aceitar o convite da agência, fazer o curso e assinar contrato com a Forum Model Management, que recentemente inaugurou uma unidade em Londrina. "Não sabemos o futuro, embora mesmo sem curso ela demonstre uma desenvoltura de quem nasceu para isso. Mas acho extremamente importante, tanto para ela eliminar complexos da idade, implica com o braço fino, por exemplo, até pela experiência de trabalhar, ganhar o próprio dinheiro e as exigências do mercado de trabalho", justifica.
"Ela é tímida demais, acho que o curso ajudará nisso, claro que sem perder o foco nos estudos e em cursar uma faculdade", acrescenta. Outro aspecto positivo, na opinião de Márcia, é a educação financeira para a filha. "Com as redes sociais e a internet, essa meninada apurou o gosto e prefere uma blusa de marca do que várias, só que é pesado o custo disso. Nada como ganhar o próprio dinheiro para perceber", prevê.
Bem na foto
Confira o que esperar do mercado e o que fazer para ter sucesso
■ Muito antes da nova lei da terceirização, eis uma atividade que o ganho é por trabalho. As diárias variam muito. Tenha em mente o custo que você tem para se deslocar, manter a aparência, etc. Evite "pagar para trabalhar"
■ Antes de assinar contrato com uma agência, preste atenção nos termos e no percentual que terão sobre o cachê. Normalmente varia de 30% a 35%
■ As agências que não visam lucrar com o comércio de cursos e sim buscam profissionais que possam trabalhar como modelos, não abordam as pessoas pelas redes sociais
■ Compare os preços de books e cursos e procure levantar informações sobre a idoneidade da agência
■ Aja como em qualquer profissão: respeite horário, seja pró-ativo, humilde, educado e trabalhe bem em equipe, pois a parte da boa aparência é condição essencial nessa atividade, o diferencial está no profissionalismo.
Modelo com DRT

O curso de modelo permite que o profissional tenha um registro na DRT (Delegacia Regional do Trabalho), obtido a partir da aprovação feita por uma banca do SIMM (Sindicato de Manequins e Modelos). Tal registro é pré-requisito em desfiles, o SIMM fiscaliza isso.
No caso de modelos fotográficos e para ações promocionais, segundo o diretor da agência Forum Model Management, Guilherme Schneider, não há necessidade de se ter DRT. "Nosso curso, por exemplo, foca em preparar o profissional para o que o mercado precisa e, no caso das profissionais que não vão para a passarela, não vejo necessidade", comenta.
O diretor reconhece que a diversidade transformou o mercado. "A passarela passou a trazer a diversidade que foi absorvida pela publicidade e, por esta razão, abriu um leque de trabalho muito interessante para pessoas que não têm a dita beleza padrão, da modelo jovem, linda e de até 22 anos. Tenho um modelo de 69 anos na agência, por exemplo, que está mais ativo que muitos outros contratados. O fundamental é criar identificação com o conceito daquilo que está sendo comunicado na campanha", informa.
É apostando nessas novas possibilidades que após 30 anos trabalhando em instituições financeiras, a ex-bancária Miriam Regina Rubim, 49, está fazendo o curso de modelo. "Em meio ao meu período sabático surgiu um convite e acho que pode dar certo, pois sempre gostei de moda e acho que estou bem para representar a minha idade", argumenta. (M.M.)


