Muito além do cumprimento de cotas
Surda desde o nascimento, Maria Cristina Lopes, de 48 anos, exerce um trabalho de confiança na Café Cacique. Ela é responsável pelo arquivo documental da empresa. Há seis anos, antes dela assumir a vaga, uma funcionária sem deficiência ocupava o cargo. Formada em Letras/Libras, ela já trabalhou em outras grandes empresas.
Quando foi admitida, vários funcionários que lidariam diariamente com ela receberam um treinamento básico, com duração de um mês, em Língua Brasileira de Sinais. A assistente social da empresa, Eliana Nardi, afirma que a inclusão foi necessária para que todos pudessem se comunicar melhor. "Para que ela não precise sair do posto de trabalho toda hora, como não podemos usar o telefone, nos comunicamos, fazemos solicitações e outros pedidos por e-mail. Mas aprendemos o básico de Libras para melhorar mesmo o contato", relata. Funcionários da portaria, recursos humanos, gestores e superiores diretos receberam o treinamento. "Quando temos alguma dúvida, um funcionário do departamento pessoal que ainda faz o curso nos ajuda", revela. Com outros seis funcionários, também surdos, em diferentes setores, outra adaptação que a empresa fez foi colocar uma tradutora em Libras nos treinamentos dos funcionários.
Cristina desenvolveu a habilidade de ler lábios e falar alguns fonemas, após muitas sessões de fonoaudiologia, para conseguir se comunicar com quem não sabe Libras. Ela conta que gosta muito do treinamento ser também em Libras porque "outros funcionários (que não são do seu contato diário), aprendem palavras como oi, tudo bem?", e acabam se comunicando com ela no dia a dia. Lidando todos os dias com documentos importantes, ela apoia a inclusão na empresa. Quando fez faculdade, por exemplo, precisou trancar por um período porque a faculdade não tinha tradutores de Libras. "Por isso acho bom trabalhar aqui", finaliza.(P.B.O.)





