Mudando de ares
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de maio de 2014
Diego Prazeres<br>Reportagem Local 
O desejo de mudar de emprego tem aumentado cada vez mais entre os brasileiros, segundo pesquisas recentes realizadas no País. O site Trabalhando.com divulgou um estudo em que 64% dos entrevistados disseram que querem trocar de emprego. Na virada do ano, a consultoria Boucinhas&Campos estimou que o índice de empregados que planejavam uma mudança de ares na carreira em 2014 chegou a 80%. Mais do que aumento de salário, o que essa gente mais quer é uma guinada profissional ou simplesmente satisfazer uma realização pessoal.
"O trabalho tem que propiciar crescimento, você não pode sair da mesma forma que entrou", afirma a psicóloga e gestora de recursos humanos de uma empresa de Curitiba especializada em psicologia do trabalho, Laísa Weber Prust. Nesse sentido, empresas com planos de carreira atraentes e um ambiente de trabalho estimulante passam a ser o sonho de consumo de quem deseja voos maiores. "O salário não é o maior motivador em uma empresa. O que é duradouro é o ambiente de trabalho propiciar alguns aspectos positivos para o trabalhador, como a sensação de pertencimento, ou seja, ele saber que é necessário ali, que faz parte do lugar, que sem ele vai haver grande perda; o ambiente ideal é aquele que lhe dá possibilidade de explorar seus pontos fortes, porque você vai ter grande probabilidade de receber reconhecimento e ser ser desafiado por coisas novas", avalia Laísa.
O consultor empresarial Guilherme Piazzetta diz que um dos problemas mais comuns em colaboradores que se dizem insatisfeitos no trabalho e desejam mudar de emprego é se colocar no que ele chama de "estado de vítima". São pessoas que tendem a sempre responsabilizar fatores externos como o relacionamento com o chefe e a falta de reconhecimento no trabalho para justificar uma insatisfação que geralmente tem razões pessoais mal resolvidas. O perigo disso é que pode-se até mudar de emprego, mas as "neuras" permanecerão.
"O sentimento de insatisfação profissional não significa que necessariamente a mudança de emprego resolverá a situação, pois se o problema for inerente a questões pessoais mal resolvidas, o problema externo apenas mudará de endereço, e o interno continuará onde está", alerta. Especialista em Executive Coach, Piazzetta admite que em alguns casos a empresa é que de fato não reconhece o valor de seus colaboradores. "Mas são a minoria dos casos, eu diria por experiência que não passa de 10%. A maior constatação de uma pessoa que está no estado de vítima é que ela está fazendo algo de que não gosta, e aí o cérebro arranja uma desculpa que aponta um terceiro, um fator externo", replica.
Ao colaborador que busca por novos desafios na carreira, o importante é estar preparado e disposto a se reinventar. Nem sempre uma promoção é benéfica do ponto de vista profissional, salienta a psicóloga do trabalho Laísa Prust. "Conheço gestores que receberam promoção e depois veio a fase da insatisfação porque eram excelentes técnicos, mas não gostavam de fazer a gestão e acabavam fazendo coisas para as quais não foram talhados. O ser humano muda, mas não muda tanto assim", aponta. "As carreiras vão dando uma guinada e isso vai exigir novas habilidades, as pessoas às vezes vão se afastando dos seus pontos fortes e fazer algo que não é da nossa habilidade exige um esforço enorme e gera um desgaste muito grande", frisa.


