Moda em expansão
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local <br> 
Criar desenhos, escolher materiais, transportar para o tecido o que está no papel. Essas são apenas algumas das atribuições de estilistas, modelistas e desingers. Com a concorrência acirrada devido à entrada de produtos chineses no mercado brasileiro, as indústrias de confecção tiveram que se reinventar e investir em ideias, para se manter na disputa.
José Ricardo Leite, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Vestuário de Londrina e Região - Sintvest - afirma que houve crescimento na procura por profissionais responsáveis pela criação. ''Muitas empresas não tinham essa função e agora precisam investir mais ainda na qualidade dos produtos, para ganhar a concorrência. Portanto, a procura por pessoas qualificadas é grande'', destaca.
O investimento no ramo da moda se reflete nos cursos. Em Londrina, o Senai oferece o Curso Técnico em Vestuário. Maria José Camargo da Silva, coordenadora, explica que a ênfase é em modelagem, tanto manual como informatizada, e moulage - uma técnica antiga -, mas o aluno também recebe noções de criação. ''Damos uma visão integral da confecção. Nossos alunos saem prontos para cargos de liderança'', explica.
Com duração de 18 meses, são ofertadas 105 vagas, divididas entre os períodos matutino, vespertino e noturno. ''Temos grande procura pelo curso, inclusive parcerias com o Sesi e com empresas, que encaminham seus colaboradores para capacitação. Várias outras nos pedem para encaminhar nossos alunos para ocupar vagas disponíveis. Com certeza é um mercado em expansão e também com valorização salarial. O aluno proativo, que saiba atuar em várias frentes será muito valorizado e terá uma remuneração à altura, afinal, é difícil encontrar um profissional que reuna várias características'', garante Maria José.
Maria Rosa Moreira Zeferino começou seu envolvimento com moda vendendo roupa, maquiagem e acessórios para amigas. ''Ia até a casa delas ou me procuravam em casa. Tem gente que não tem tempo para sair e comprar, prefere provar em casa, com calma'', conta. Com o tempo passou a sugerir looks completos e sentiu necessidade de estar mais preparada.
''Preferi o curso técnico porque assim tenho mais conhecimento para escolher tecidos, saber o que fica bom ou não nas minhas clientes, avaliar o acabamento da costura. Isso ajudou a aumentar meus rendimentos, porque posso dar consultoria e também já estou criando minhas próprias peças. Além disso, conheci várias pessoas do ramo, sempre tem alguém nos observando e é assim que conseguimos nos colocar no mercado'', relata.
Maria Rosa conta que em seis meses de curso já recebeu quatro boas propostas de emprego, que ela não conseguiu conciliar por conta do horário dos estudos. No próximo ano ela vai tentar mudar o horário, para poder trabalhar em outros lugares. ''Participei de um projeto em uma loja, onde trabalhei customizando peças, o que me rendeu uma boa oferta de emprego. E essa oportunidade foi graças ao curso, o gerente da franquia foi até nossa sala de aula e depois de avaliar meu trabalho, me convidou para trabalhar com eles'', conta.
Quem também já está colhendo os frutos do curso técnico em vestuário é Oesley Cleyton dos Santos, que trabalha na loja de roupas da irmã. ''Ela cuida da administração e eu dou palpites nas criações. Sempre gostei dessa área e a expansão do pólo textil no Estado foi um motivador a mais. Quero entender de tudo um pouco e minha intenção agora é poder criar minha própria marca'', almeja.


