Os sete meses decisivos na trajetória profissional de Elcio Meira são, ao mesmo tempo, os mais felizes. Aos 38 anos, ele não esconde o orgulho de ter realizado o sonho que alimenta milhares de brasileiros: o de ter o próprio negócio.
Ele comemora o retorno financeiro, o prazer de trabalhar em uma área que sempre gostou e a oportunidade de fazer os próprios horários. E dado o primeiro passo, agora ele sonha ainda mais alto. "Quero ampliar e chegar a ter uma equipe", diz.
Meira é formado em gestão comercial e se tornou um franqueado da Negocioteca, que oferece consultoria on-line para pequenas e médias empresas. Atualmente, já são 30 profissionais franqueados em dez Estados.
"Era um sonho ter o meu negócio e na área de consultoria, mas eu não estava totalmente preparado e precisava de um suporte", conta Meira, que buscou sua realização profissional entre as oportunidades de microfranquias home based.
Um modelo de negócios que vem crescendo no segmento de franchising, pois o grande atrativo é o baixo investimento inicial (até R$ 80 mil) se comparado às franquias tradicionais e a possibilidade de se trabalhar em casa.
Desde março, quando Meira investiu nesse sistema de negócios, seu local de trabalho era a própria casa, porém, os resultados o surpreenderam de tal forma que há um mês, alugou uma sala comercial.
Segundo ele, essa proposta de poder trabalhar em casa, aliada à maior chance de sucesso pela consolidação da marca no mercado, é uma grande vantagem. E todas essas possibilidades estão "brilhando" aos olhos não só de Elcio, mas de muitos brasileiros.
"As microfranquias são vistas realmente como uma tendência, principalmente na área de serviços, onde não é preciso, necessariamente, de um espaço físico para vender ou atender o cliente", afirma Fabiana Estrela, diretora da regional Sul da Associação Brasileira de Franchising (ABF).
Na linha de serviços, ela cita oportunidades na área de consultoria, como é o caso de Meira, na área de educação com tutorias e até para segmentos de saúde, como enfermagem. "Com o cenário de economia mais instável, muitos brasileiros, que têm a vontade de ser empreendedor, estão começando a colocar em prática o plano B. Alguns, inclusive, enquanto estão empregados. Eles começam nas horas livres, passam a envolver a família, vão ampliando e com o tempo deixam o emprego formal", observa Fabiana.
E se depender da vontade dos brasileiros, o mercado de microfranquias pode ficar ainda mais aquecido. Isso porque uma pesquisa da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, mantida pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP), de março deste ano, mostra que, de 290 entrevistados, 72% responderam que a prioridade para os próximos dois a quatro anos é empreender. Ao aumentar a projeção para dez anos, esse número sobe para 76%.
"Claro que tudo tem suas vantagens e desvantagens, mas quem quer realmente ser empreendedor e tem essa aspiração pessoal, enxerga como mais vantajoso investir em uma microfranquia do que seguir em um emprego fixo, seja público ou privado, pois além de tudo, ela está realizando um sonho", completa.

FATURAMENTO

Um levantamento da ABF mostra que o ano de 2014 fechou com 433 marcas no Brasil trabalhando com microfranquias, sendo que a região Sul concentrou 73 delas. "As marcas têm um alto potencial de desenvolvimento, mesmo em um momento de crise, porque se investe muito em capacitação, desde o franqueado até a equipe", comenta Fabiana.
Dados mais recentes mostram ainda que o faturamento do setor de franchising cresceu 11,2% no primeiro trimestre deste ano, em comparação ao mesmo período do ano passado. Já no segundo trimestre, segundo a ABF, o crescimento chegou a 13,1%, com uma receita de R$ 32,537 bilhões.

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