Ivani Gonçalves da Silva Mariano, de 44 anos, é hoje uma das mulheres que ocupam cargos de chefia na Yticon Construção e Incorporação, em Londrina. Todos os dias, ela está na obra de construção à frente de uma equipe de 100 pessoas, sendo a maioria homens.
Sua trajetória profissional é um exemplo do caminho que as mulheres foram trilhando profissionalmente, em especial em áreas que há anos eram ocupadas por homens. Formada há 20 anos em Engenharia Civil, Ivani vê hoje, um mercado transformado, onde a liderança de mulheres é bem aceita.
"Quando entrei na faculdade, a proporção de alunos era de 40 homens para três mulheres. Desde o início, mesmo após formada, eu tinha que ter um esforço extra para mostrar que era capaz, já que, na área de Engenharia, a mulher muitas vezes era tida como incapaz", comenta.
Para firmar sua posição na equipe, a engenheira conta que se esforçou para não mostrar fragilidade e buscou, ao máximo, se aproximar da conduta dos funcionários. Ivani é responsável pelo planejamento e gerenciamento de obras, desde o processo de compra, coordenação de equipe e acompanhamento do cronograma.
"Se anos antes, eu tinha dificuldade em delegar ordens, hoje vejo que sou reconhecida pela minha capacidade profissional, mas também tem o fato de que a presença feminina nas construções já não é novidade. Temos funcionárias inclusive na área de eletricidade", conta.
Além disso, Ivani acredita na valorização das habilidades femininas. "As obras são mais planejadas e precisam de detalhes. Com isso, as mulheres se deram bem. Somos mais detalhistas e conseguimos lidar com várias coisas ao mesmo tempo, como gerenciar um problema de relacionamento de um funcionário, resolver a falta de um material e organizar um serviço imediatamente. E isso as levam a querer sempre mais. As mulheres hoje buscam desafios", conclui. (M.O.)

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