Mercado mobiliário tem carência de designers
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segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Vinícius Fonseca<br> Reportagem Local 
Idealizar e projetar um móvel, seja sob medida ou em grande escala, são habilidades de um designer de móveis. Além de definir o desenho, esse profissional escolhe a matéria-prima, a cor e o estilo das peças mobiliárias que vão compor ambientes domésticos e empresariais.
O boom da construção civil e o desejo, cada vez mais comum, das pessoas de terem em suas residências e escritórios ambientes planejados têm aberto caminhos interessantes para quem pretende se dedicar a essa profissão.
Sérgio Ferreira da Silva, proprietário da Ferreira Móveis, de Londrina, conta que atualmente faltam profissionais no mercado. "Com o crescimento da construção civil, aumentou muito a demanda", diz ele, que hoje tem apenas um designer entre os dez funcionários da empresa.
Há 12 anos dono de seu próprio negócio, mas com uma longa carreira dedicada a elaboração de móveis, ele afirma que atualmente fazer um curso e se especializar na profissão é fundamental para quem pretende entrar no ramo. "Falta mão de obra qualificada, não só designers, mas marceneiros e outras funções do setor. Eu aprendi tudo com a prática, mas no mercado de hoje, não dá para pensar em não ter um curso", pondera.
Ainda segundo ele, se a mão de obra não fosse tão escassa, seu quadro funcional poderia ser dobrado, o que abriria vagas para a efetivação de, pelo menos, mais três designers.
O campo para esse profissional não é atrativo apenas pela promissora abertura de vagas, mas também pela remuneração. De acordo com Ferreira da Silva, somadas comissões por vendas executadas, o salário de um designer varia entre R$ 4 mil e R$ 5 mil.
De olho na necessidade do mercado, como um todo, o Senai de Arapongas (Norte) oferta desde 2010, o curso de formação de técnico em designer de móveis. Até o próximo dia 25, estarão abertas as vagas para a formação da primeira turma 2014, com início das aulas previsto para fevereiro.
Ao todo estão sendo ofertadas 35 vagas. O curso tem duração de 18 meses e o formando será capacitado para trabalhar tanto em empresas de móveis planejados, quanto em unidades de fabricação em série, podendo prestar atendimento para residências, escritórios e outros ambientes. Os interessados devem ter, no mínimo, ensino médio completo.
O gerente da unidade Arapongas, Nílson Carlos Violato, explica que o surgimento do curso se deu devido as características do município, considerado um polo moveleiro. Só em torno da cidade, são aproximadamente 450 empresas ligadas ao ramo. "O Senai costuma abrir vagas (para o curso) semestralmente por entender que há uma necessidade grande de mão de obra", diz.
Violato afirma que, durante a formação, o designer é preparado não apenas para pensar o desenho, mas ter conhecimento para auxiliar em diversas fases do processo de produção de um móvel. Com isso em mente, ele garante que só a região de Arapongas absorveria pelo menos 300 profissionais.
O gerente, no entanto, vai além. Para Violato, se as empresas entendessem a necessidade da presença desse profissional nos processos de produção, a demanda poderia chegar a 2 mil vagas. "O ideal é que as empresas consigam formar equipes, cada uma delas para pensar e trabalhar uma parte do processo de produção. Quando isso ocorrer, a necessidade deste profissional será ainda maior", vislumbra.
A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) Campus Curitiba - chegou a ofertar o curso até o ano de 2008. A chefe do departamento de Desenho Industrial, Maria Leni Gapski, comenta que isso ocorreu para atender uma solicitação do Ministério da Educação(MEC). Segundo ela, não está descartado um retorno da formação. "O curso foi extinto para atender um catálogo do MEC. Há pessoas que procuram a unidade para saber se não pretendemos retomar o curso e estudamos essa possibilidade, mas ainda não há uma data para que isso ocorra", revela.


