Mercado de trabalho: porta de entrada
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segunda-feira, 08 de abril de 2013
Vinícius Fonseca <br> Reportagem Local 
Terminar o ensino médio, fazer um curso superior e só então entrar no mercado de trabalho. Com faculdades e universidades cada vez mais acessíveis, essa passa a ser uma realidade. No entanto, alguns jovens, sobretudo, das classes C e D têm optado por um caminho diferenciado.
Mesmo com a existência das cotas que facilitam o ingresso de estudantes de baixa renda no ensino superior, muitos apostam em cursos profissionalizantes para iniciar uma carreira.
Segundo o último Censo Escolar do Ministério da Educação (MEC), o Brasil possui cerca de 30 milhões de estudantes matriculados no ensino fundamental. Já no ensino superior o número de matrículas cai para menos de 7 milhões. Assim, escolas de cursos profissionalizantes, que oferecem formação em áreas prestigiadas no mercado de trabalho, têm se tornado uma aposta para esse público.
Levantamento realizado pela Evolute Cursos Profissionalziantes, que oferece aproximadamente 50 cursos nessa modalidade, aponta que 70% dos jovens formados nesse método conseguem colocação no mercado até seis meses após o término das aulas. Participaram da pesquisa cerca de 20 mil jovens, de forma presencial ou via internet, com idades entre 15 e 24 anos e renda mensal familiar bruta variando entre R$ 800 e R$ 1,8 mil, de 13 Estados mais o Distrito Federal. ''O jovem quer uma formação e os cursos profissionalizantes são mais rápidos e baratos'', afirma Admir Santana, diretor de expansão da Evolute.
Santana defende que o Brasil necessita de mão de obra qualificada e aponta que os cursos profissionalizantes são uma ferramenta interessante para começar no mercado de trabalho ou mesmo se aperfeiçoar.
Segundo ele, os cursos profissionalizantes servem para a grande maioria como meio de sustento, mas, nos últimos anos, têm crescido o número de estudantes que se utilizam da formação para ''voar mais alto''. ''Cerca de 30 a 40% desses alunos acabam utilizando o dinheiro do primeiro emprego para fazer uma faculdade'', argumenta.
O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) é outra instituição que oferece cursos profissionalizantes. O Analista de Negócios do próprio Senai, Marcelo Strik, esclarece que cursos profissionalizantes se subdividem em técnicos e de qualificação. ''Os cursos técnicos têm carga horária e mensalidades um pouco maior do que os de qualificação. Em contrapartida, os técnicos têm um salário inicial de R$ 1,2 mil, em média. Já quem faz qualificação ganha um pouco menos. Com o passar dos anos esse valor aumenta, devido a escassez há técnicos ganhando até R$ 4 mil'', afirma.
Strik esclarece que cursos de qualificação têm, em média, duração de cerca de três meses. Já cursos técnicos variam entre 1 e 2 anos, no mínimo. Juntos só no Senai essas modalidades somam 65 opções, sendo 55 de qualificação e 10 técnicos.
Pesquisa recente realizada pelo próprio Senai aponta que, até 2015, o Brasil terá de formar 7,2 milhões de trabalhadores em nível técnico e em áreas de média qualificação para atender a demanda industrial.
O analista aponta outro dado que reforça a importância da formação técnica. Números do Conselho Nacional da Indústria apontam que apenas 4,2% da população, entre 20 e 50 anos, possui formação Técnica. ''Conforme a pesquisa, para equilibrar a demanda esse número deveria ser 10 vezes maior'', reforça.
Strik afirma que os cursos profissionalizantes, sobretudo os técnicos, são uma grande oportunidade, no entanto, ainda falta por boa parte da população conhecer melhor as oportunidades existentes. Hoje só o Senai Londrina forma cerca de 10 mil pessoas por ano, mas esse número poderia chegar a 15 mil. ''Tem espaço no mercado e condições para isso, mas o Brasil enfrenta um problema cultural de acreditar que depois que se termina o ensino médio é preciso ir à faculdade. Em países como o Canadá e outros, a formação técnica é encarada como tão ou mais importante do que o ensino superior'', ilustra.
Conforme ele, o público que busca pela formação é variado, mas a grande maioria são de jovens com idades entre 18 e 25 anos.
Assim como Santana, o analista do Senai diz que cursos profissionalizantes devem ser encarados como a porta de entrada no mercado de trabalho ou até mesmo a oportunidade de uma projeção dentro da área em que já atua. Um dado interessante é que o Brasil tem um índice de empregabilidade de cerca de 74% para alunos que ainda estão em aula. ''Um aluno de 18 anos entra no curso e durante as aulas consegue emprego na área. Ao término terá experiência de mercado e condições de arcar com uma faculdade se for do seu interesse'', exemplifica.
Para quem ainda está em dúvida se deve ou não começar um curso, Strik indica modalidades como técnico em eletromecânica, em informática e em automação industrial, além das qualificações em torneiro mecânico, soldador e mecânico de automóveis, todos em alta no mercado de trabalho.


