Mercado de manicure: em Londrina sobram vagas
Com salários que podem chegar a R$ 6 mil, setor de beleza local enfrenta escassez de mão de obra especializada
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de dezembro de 2025
Com salários que podem chegar a R$ 6 mil, setor de beleza local enfrenta escassez de mão de obra especializada

Em Londrina, o setor de beleza enfrenta um contraste marcante: enquanto as vagas formais para manicures se multiplicam, faltam profissionais capacitados para ocupá-las. A profissão, que deixou há tempos o campo do amadorismo, exige hoje formação específica em técnicas complexas e em protocolos de biossegurança.
Levantamento realizado pela FOLHA, nas plataformas Trabalha Brasil e BNE (Banco Nacional de Empregos) mostra 36 oportunidades formais abertas em Londrina, em dezembro de 2025. As vagas estão distribuídas entre franquias nacionais e clínicas locais de alto padrão, o que aponta para um mercado de serviços aquecido na região.
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No entanto, análises do setor indicam que para cada dez cadeiras de manicure disponíveis em grandes salões, quatro permanecem vazias. O problema não é a falta de clientes, mas a carência de profissionais habilitados para realizar procedimentos como alongamentos em gel e fibra de vidro e para seguir normas rígidas de esterilização, essenciais, por exemplo, no atendimento a clientes com diabetes.
CURSOS: A PORTA DE ENTRADA
A qualificação tornou-se, assim, um diferencial econômico. Cursos profissionalizantes, como os oferecidos pelo Senac com carga horária entre 60 e 160 horas, são a porta de entrada para essa valorização. A remuneração reflete essa divisão: profissionais em regime de parceria com salões têm rendimentos médios entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, enquanto manicures autônomas com agenda consolidada podem faturar mais de R$ 6 mil por mês.
Outro nicho em expansão é o público masculino, que retoma uma prática histórica - os registros indicam que guerreiros da Babilônia, por volta de 3.500 a.C., já adornavam as unhas antes de combates. Hoje, a procura por serviços de manicure e pedicure por parte dos homens aumenta, motivada por cuidados com higiene e bem-estar.

PROFISSIONAL DESTACADA
A viabilidade econômica e a longevidade da profissão materializam-se na trajetória de Olinda Constancio. Nascida em 1954, ela começou a trabalhar como manicure em 1972 e mantém-se ativa há mais de quarenta anos. Antecipando uma tendência de mercado, dedicou quinze anos de carreira exclusivamente ao atendimento masculino. Entre seus clientes, estiveram personalidades como João Milanez, fundador da Folha de Londrina, e magistrados que valorizavam seu rigor técnico.
A profissão foi para Olinda uma ferramenta de autonomia. "A manicure para mim foi, acima de tudo, independência. Foi como sustentei meu filho depois que o pai dele foi embora", conta. Como mãe solo, sustentou a família com seu trabalho, adquirindo casa e carro e garantindo a educação do filho. Mesmo aposentada por idade, continua atendendo, a renda extra custeia seu plano de saúde. Sua história confirma que a manicure é uma carreira com passado sólido e demanda crescente, mas que depende, cada vez mais, de formação qualificada.


Patrícia Maria Alves
Editor e Gerente de Produtos Digitais





