Já imaginou transformar um hobby em trabalho? Aposto que a maioria vai responder que sim. Afinal de contas, ter prazer na vida profissional é algo que os brasileiros têm valorizado e muito.
E a boa notícia é que já tem bastante gente transformando esse desejo em realidade. Quem trabalha na área de games está literalmente "passando de fase", ou seja, deixando de ser apenas jogador para se tornar um empreendedor.
É o caso dos sócios Túlio Caraciolo e Vicente Vieira Filho, da Manifesto Games, de Pernambuco. Fundado há dez anos, o estúdio de produção de jogos deixou de ser um interesse apenas de dois amigos e se tornou um "time", hoje, de 40 pessoas.
"Nosso foco é na produção de títulos próprios, principalmente, para dispositivos móveis, mas também trabalhamos no mercado de outsourcing (terceirização), atendendo grandes empresas de fora, como a Disney", conta Vieira Filho, ressaltando que, no Brasil, a atuação envolve bastante as áreas de publicidade e educação.
Vieira é um dos 60 filiados à Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos (Abragames), criada em 2004, com o objetivo de fortalecer o segmento na indústria nacional. De acordo com ele, atualmente são mais de 200 empresas do setor em atuação no País.
No entanto, se depender das previsões, esse número tende a crescer nos próximos anos. O Mapeamento da Indústria Brasileira e Global de Jogos Digitais, realizada no ano passado, estima que as vagas no mercado de trabalho cresçam em torno de 13,5% até 2020. Para este ano, as previsões giravam em torno de 117 mil vagas. Todas, à procura de mão de obra especializada.
O relatório também traz dados de um levantamento mundial do PricewaterhouseCoopers (PWC) ao revelar que, se em 2011 o setor movimentou US$ 74 bilhões de dólares, tudo indica que, neste ano, deve ultrapassar a casa dos US$ 82 bilhões.
Na pesquisa, o PWC ainda posiciona o Brasil como o 4º maior país consumidor de jogos eletrônicos do mundo, com aproximadamente 45 milhões de jogadores. E as boas expectativas não param por aqui. Segundo o instituto, o País será "o maior mercado de games na América Latina em 2017, sendo responsável por 37% do total das receitas de consumo da região em 2019". O crescimento médio esperado é de 11,9% ao ano, com um gasto em games estimado em US$ 1 bilhão de dólares em 2019. Com isso, no ranking global de mercado de games, o Brasil pode chegar à 15ª posição.
"Hoje em dia, o desenvolvedor que está começando pode distribuir digitalmente. Isso significa que ficou mais fácil produzir, testar e atrair o público, em comparação com dez anos atrás. Há um grande mercado consumidor, o cenário é positivo e o momento é de ir atrás de experiência e conhecimento", defende Vieira Filho.

PARANÁ OCUPA 6ª POSIÇÃO
O primeiro Censo da Indústria Brasileira de Jogos Digitais (IBJD), realizado no ano passado, considerou a resposta de 133 participantes e posicionou o Paraná em sexto lugar, na distribuição geográfica das empresas de games. O Estado aparece com oito empresas, representando 5,37% entre 16 Estados brasileiros.
Além disso, o censo revela um predomínio (74,4%) de pequenas e médias empresas, com faturamento em 2013 de até R$ 240 mil. Outros dados foram colhidos em relação à principal atividade. Dos entrevistados, 80% afirmaram atuar quase que exclusivamente com desenvolvimento de games.
Somente naquele ano, as 133 empresas participantes produziram 1.417 títulos de jogos. Destes, 97,8% declararam produzir jogos de entretenimento, sendo 60,2% produção própria.

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