MARKETPLACES - Vitrines na tela


Micaela OrikasaReportagem Local
Micaela OrikasaReportagem Local
Na avaliação dos sócios Daniel Rigotti e Edmir Viecili Filho, sobrevivência no mercado atual depende de uma atuação virtual
Na avaliação dos sócios Daniel Rigotti e Edmir Viecili Filho, sobrevivência no mercado atual depende de uma atuação virtual | Marcos Zanutto


Em um clique, dezenas de marcas e produtos à disposição. Se comprar pela internet já caiu no gosto dos brasileiros, a ideia agora é reunir diversos produtos e serviços em um único lugar, ou melhor, nos marketplaces.

Considerado um "shopping virtual", o marketplace é um modelo de negócio firmado nos Estados Unidos e que chegou no Brasil com força. "Nos próximos cinco anos, será o maior gerador de receita e tráfego para os e-commerces. Se hoje os marketplaces representam 25% da demanda de tudo que se fatura em comércio eletrônico, em 2022, acredito que chegará a 50%", aponta o especialista em marketplace em São Paulo, Frederico Flores.

O número positivo se deve tanto pelo comportamento do consumidor na internet quanto pela consolidação do empreendedorismo digital. O Atlas E-commerce Radar do primeiro semestre 2017, divulgado pela Ebit – empresa especializada em informações de comércio eletrônico -, mostra que com o aumento da penetração de smartphones, a parcela de compras por dispositivos móveis cresceu de 22% para 31%, entre 2016 e o 1° semestre de 2017.

"O marketplace é que vai ditar o mercado e eu não vejo mais um caminho de volta. Para se ter uma ideia, no mercado americano hoje, mais de 70% das vendas da Amazon são originadas de vendas do marketplace", comenta André Ricardo Dias, diretor de operações da Ebit.

No Brasil, o B2W marketplace que contempla Americanas.com, Shoptime, Submarino, entre outras marcas, atingiu 2,9 milhões de itens comercializados ao final do primeiro trimestre de 2017, revelando um crescimento de 173% em comparação ao mesmo período do ano passado.

De olho nessa tendência, muitas pessoas estão buscando empreender no mercado digital. Os interessados podem investir tanto no desenvolvimento dessas plataformas de e-commerce colaborativas quanto conectar seus produtos ou serviços a uma delas.

Segundo Flores, montar um marketplace requer um investimento muito alto e uma equipe muito experiente para estruturar o projeto. "O risco é maior e envolve muitos recursos, pois é fundamental começar com uma boa base de compradores e vendedores. A dica que dou para quem quer entrar nessa área é se especializar, isto é, buscar um nicho", sustenta.

MARKETPLACES - Vitrines na tela



ALTERNATIVA

Para aqueles que visam um investimento inicial mais baixo e com maior segurança no negócio, a sugestão dos especialistas é se conectar a um marketplace, isto é, iniciar uma loja nessas plataformas. O custo reduzido é possível porque o empreendedor não precisará de uma infraestrutura online para começar a vender.

"Ele vai utilizar o marketplace como uma vitrine, pagando uma comissão somente do produto ou serviço que for vendido", acrescenta Edmir Viecili Filho, da Tamppa E-commerce Intelligence, em Londrina.

Viecili Filho atua em parceria com Daniel Rigotti e juntos, dão consultoria para quem deseja lançar-se no comércio eletrônico. De acordo com eles, muitas pessoas iniciam com uma loja virtual e acabam se conectando a um marketplace. "Os comerciantes sabem que a sobrevivência no mercado atual depende de uma atuação virtual. Não tem como ignorar mais isso", comenta Rigotti.

Um ponto importante que os sócios destacam é escolher bem o canal, se certificando que ele tem força e credibilidade entre os consumidores. "E mesmo estando em um marketplace, é preciso gerar confiança. O produto ou serviço devem ser bem apresentados e a logística de pagamento e entrega devem funcionar perfeitamente", comenta Filho.

O diretor de operações da Ebit, André Dias, lembra que uma das formas de atrair o consumidor é oferecer frete grátis. Entretanto, muitas lojas têm substituído essa prática em busca de rentabilidade, o que de certa forma impacta o consumidor.

"As lojas têm começado a trabalhar com um 'menu' de frete. O consumidor pode ter diferentes valores de acordo com os prazos de entrega. Outro recurso que muitos empresários estão investindo são os cupons de desconto, mas essa ideia ainda precisa ser melhor desenvolvida e esclarecida, pois temos visto reclamações", afirma.

'Clientes buscam mercados de nicho'



Empresário em Londrina, Luiz César Pimentel investiu no setor automotivo e de moda plus size
Empresário em Londrina, Luiz César Pimentel investiu no setor automotivo e de moda plus size | Marcos Zanutto


O especialista em marketplace, Frederico Flores reforça a dica de investir em um marketplace de nicho. Ele explica que isso permite uma personalização do serviço ou produto e uma comunicação diferente com o consumidor.

"Por exemplo, o prazo de entrega pode ser maior se for um produto artesanal, ou então, no caso de um marketplace de games, é possível trabalhar com materiais específicos, como comentários e vídeos", cita.

Com quase duas décadas de experiência no mercado digital, o empresário em Londrina, Luiz César Pimentel resolveu investir junto com parceiros, na implantação de um marketplace no setor automotivo e outro na moda plus size. Os dois canais estarão disponíveis nos próximos 90 dias.

"Entendemos que pela experiência e usabilidade, os clientes vão cada vez mais buscar marketplaces de nicho. A gente estuda esse mercado há muito tempo e sabemos que é uma tendência", diz.

Pimentel está à frente da empresa Céu E-commerce e nos últimos três anos tem investido em pesquisa e empreendedorismo em marketplace. Ele acredita que do ponto de vista do consumidor, a maior vantagem é ter uma gama enorme de produtos em um único lugar.

Para o vendedor é a questão da notoriedade e propagação da marca. "Além disso, te permite trabalhar de qualquer lugar. O modelo passivo, esperando o cliente chegar não funciona para esse modelo de negócio", conclui.


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