Se depender dos resultados deste primeiro semestre, o clima de pessimismo seguirá fechando portas no comércio, aumentando as taxas de desemprego no País. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, somente no primeiro trimestre deste ano, as vendas no varejo acumularam uma queda de 7%.
Mas se por um lado, uma grande parcela de responsabilidade é justificada pela atual situação econômica, por outro, é possível ser pró-ativo e "remar contra a maré". Esse é o olhar de muitos especialistas, que têm apontado o marketing sensorial como uma ferramenta viável e eficaz, se bem planejada. O termo que ainda pode ser uma novidade para alguns empresários, consiste em explorar os cinco sentidos – visão, olfato, audição, paladar e tato – com o intuito de emocionar as pessoas, isto é, causar boas sensações e, assim, estimular os consumidores.
"Pode ser desde um cheiro no ambiente, uma vitrine diferenciada para causar um impacto visual, uma música, degustação de alimentos ou bebidas, entre outros", diz Fábio Iwakura, consultor empresarial e docente da Unopar.
Segundo o autor dinamarquês Martin Lindstrom, "75% das nossas emoções são geradas pelo que cheiramos". Sendo assim, o olfato é tido como uma poderosa ferramenta de marketing.
E esse detalhe não passa despercebido na Talencce, loja multimarcas em Londrina. "A memória olfativa também é uma forma de relacionamento com nosso público. Temos uma fragrância específica, que perfuma inclusive as sacolas que enviamos para as clientes", comenta a gerente Giovana Uhdre Genta.
Além do olfato, a loja investe no visual, com a disposição dos produtos distribuídos em mais de 900 m². "Ainda nos preocupamos em montar um espaço para um café com bolo ou para uma roda de conversa. A ideia é que aqui seja uma expansão da casa das clientes, onde elas possam se sentir à vontade. As vendas são consequências disso", afirma.
Já a música ambiente talvez seja a estratégia mais utilizada, mas vale lembrar que é importante conhecer o público antes de dar o "play". Segundo Iwakura, o volume e ritmo terão impactos como "acelerar" os clientes ou acalmá-los.
Em relação ao paladar, a master em neuromarketing e neuroestratégia Regina Monge ressalta que ele ajuda a despertar os demais sentidos e o sabor remete diretamente ao produto. "Estudos afirmam que as pessoas recordam 15% dos sabores que provam", comenta.
Regina lembra ainda que o efeito contrário fará o oposto e, por isso, a atenção a esse sentido é extremamente importante no segmento de alimentos. "E o sentido do tato é o momento em que o consumidor tem a maior interação com o produto, estabelecendo um relacionamento mais direto e favorecendo a possibilidade da compra", aponta.

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