Maior profissionalização dos clubes depende de mudanças, dizem especialistas
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domingo, 09 de setembro de 2018
Rafael Costa <BR> Reportagem Local 
Embora os profissionais concordem sobre a tendência dos clubes de futebol à profissionalização da gestão e à abertura para profissionais especializados em diferentes áreas de conhecimento, também é consensual o fato de que se trata de um mercado ainda em desenvolvimento no Brasil.
"Não é o tipo de profissão que vai ter empregos sobrando", diz Bruno Pasquarelli, coordenador do núcleo de aprendizagem da Universidade do Futebol. "A expectativa é que surjam muitas possibilidades de trabalho. Mas tudo depende da forma como o trabalho vai ser gerido pelo presidente do clube", diz.
Thiago Scuro observa que as oportunidades são ainda mais limitadas para funções como a que exerce no Red Bull Brasil. "Estamos falando de um mercado com muita visibilidade. Isso acaba gerando uma percepção, para as pessoas que estão de fora, de ser maior do que de fato é. Mas temos 20 clubes de série A no Brasil, 20 da B, 20 na C, e alguns outros clubes com nível relativo de organização. Então você tem não tem muitos bons empregos nesta posição", explica.
A razão é que os clubes ainda são meios altamente politizados, onde os presidentes são eleitos e acabam condicionando todos os procedimentos - incluindo o perfil de profissional que se vai contratar. "Ao mesmo tempo, há uma necessidade alarmante de se profissionalizar e desenvolver a gestão esportiva. Ou isso muda agora, ou vamos ficar muito distantes das principais ligas", avalia Pasquarelli.
Scuro lembra, ainda, que o meio acaba favorecendo ex-atletas e técnicos. "A caminhada é mais longa para quem não tem uma imagem forte, não foi um grande jogador ou treinador", diz.
Pasquarelli diz que um plano de carreira para a área pode passar por clubes menores, que podem servir como "alavancas", mas reconhece que estes períodos tendem a ser curtos, já que se tratam de organizações com estruturas limitadas. "Tem muito trabalho a ser feito nos menores, mas paga-se muito pouco", lamenta. "À medida em que os médios e pequenos começarem a se organizar, começaremos a entrar em um nível interessante", prevê.
"Por enquanto, a realidade ainda não é essa. Você tem que mirar em clubes empresa, como o PSTC (Paraná Soccer Technical Center) aí no Paraná", explica Pasquarelli, referindo-se ao clube de Londrina que faz um trabalho de referência na revelação de jovens talentos e que deu ao futebol nomes como Jadson, do Corinthians, Fernandinho, do Manchester City, e o pentacampeão Kléberson, entre outros. (R.C.)


