De acordo com Deonilda Machado, da Federação dos Artesãos do Paraná, em Londrina há aproximadamente cinco mil profissionais que se dedicam ao artesanato. Muitos deles integram grupos e associações visando o desenvolvimento e comercialização de produtos.
A Associação dos Trabalhadores Artesanais de Londrina (Atal) é uma delas. Criada em 1997, a Atal conta hoje com 22 associados, que dividem as despesas fixas de uma sala comercial no Shopping Com-Tour.
"Cerca de 20% das vendas é para o pagamento de contas fixas", conta Maria Aparecida Silva, enfermeira aposentada e presidente da associação. O artesanato passou a fazer parte de sua vida há três anos, mas Maria Aparecida já compreende um ponto de dificuldade.
"O artesanato não é visto com todo o seu valor. Acredito que há uma relação cultural, onde o artesanato não é a primeira opção de compra dos brasileiros", comenta.
A artesã Ana Maria Pereira Nogueira, de 68 anos, soma mais de 30 anos de total dedicação ao artesanato. Casada e mãe de quatro filhos, ela enxergou nas habilidades manuais uma oportunidade de gerar renda.
Ela transforma fibras de bananeira e palha de milho em objetos de decoração, faz bordados com fita, mas sua atividade principal é a pintura em tecidos e sabonetes. "Tudo começou como uma ocupação, mas se tornou um emprego, minha principal fonte de renda. Meu marido está aposentado e agora me ajuda com o artesanato", conta.
Ana Maria diz que sempre olhou para o futuro e há cerca de quatro anos procurou se formalizar para empreender sua profissão. "Procurei o Sebrae, me tornei uma microempreendedora individual, criei um site na internet e hoje tenho uma média de faturamento de R$ 2,5 mil, com a venda de produtos que variam de R$ 15 até R$ 170", completa.
Com a regulamentação da profissão, Ana Maria acredita em mais oportunidades. "Muitas pessoas já vivem do artesanato e cada vez mais o trabalho manual vai ganhando espaço. São produtos diferenciados porque envolvem carinho, criação e prazer", conclui. (M.O.)

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