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Londrina

MERCADO DE TRABALHO 5m de leitura Atualizado em 09/11/2021, 07:12

Londrina recupera empregos perdidos, mas crescimento real começa agora

Saldo de empregos em 2021 mostra recuperação dos postos de trabalho perdidos na pandemia e as projeções apontam aumento de contratações

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de novembro de 2021

Tamiris Anunciação/ Especial para FOLHA
AUTOR autor do artigo

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 Após a fase aguda da pandemia da Covid 19 e do cenário de crise trazido por ela, Londrina vive um momento positivo na geração de empregos formais. Os números demonstram que até o mês de setembro foram gerados cerca de  7.119 postos de trabalho, um aumento de 4,78% em comparação com o saldo registrado nos primeiros meses do ano. Os dados foram divulgados pelo NuPEA (Núcleo de Pesquisas Econômicas Aplicadas), da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) com base nos dados do Caged (Cadastro Geral de Emprego e Desemprego) e do Rais (Relação Anual de Informações Sociais). 

Os números representam principalmente a recuperação dos empregos perdidos em 2020, mas os próximos meses que definirão o real crescimento na geração de postos formais de trabalho em Londrina. Ou seja, o saldo positivo de contratações não cresce em paralelo à economia, isso significa que o aumento na geração de empregos formais, não representa necessariamente, um cenário econômico ideal. “Agora é que nós começamos o real crescimento. No final do ano passado, foram perdidos cerca de 5 mil postos de trabalho, ou seja, grande parte das contratações que vimos este ano, foram recuperações do ano passado”, destaca o economista e professor coordenador da pesquisa divulgada pela UTFPR, Marcos Rambalducci. 

RECUPERAÇÃO DE EMPREGOS

Após um ano desempregada, Erika Nagata Antunes foi contratada por uma loja: "Acredito que este ano esteja melhor para contratações"
Após um ano desempregada, Erika Nagata Antunes foi contratada por uma loja: "Acredito que este ano esteja melhor para contratações" |  Foto: Acervo pessoal
 

Erika Sayure Nagata Antunes, tem 28 anos e após um ano desempregada, foi contratada por uma loja de roupas em um shopping de Londrina. “Fui demitida no começo da pandemia, quando fechou todo o comércio da cidade e estava desempregada há 1 ano. Acredito que esse ano esteja melhor para contratações em relação ao ano passado”, conta.

Erika, faz parte do quadro de trabalhadores que perderam seus empregos formais na pandemia e nos últimos meses conseguiram uma recolocação formal no mercado de trabalho como tinham antes da crise

Antes de ser contratada na empresa em que está, Erika chegou a ter outras experiências de trabalho, mas precisava encontrar um trabalho com carga horária de shopping, como sua última experiência profissional antes da pandemia, para corresponder à sua rotina familiar. 

Eduarda Cristina Peres: "Estou trabalhando como atendente em uma cafeteria há 15 dias"
Eduarda Cristina Peres: "Estou trabalhando como atendente em uma cafeteria há 15 dias" |  Foto: Acervo pessoal
 

O crescimento que virá a partir deste cenário de recuperação de postos de trabalho poderá ser visto nos próximos meses, já começando neste mês de novembro. Este é o caso da Eduarda Cristina Peres, de 19 anos, que não perdeu o emprego durante a pandemia, mas há 3 meses procurava um trabalho formal e foi admitida há duas semanas. “Eu era jovem aprendiz e atuava como auxiliar administrativa, ao encerrar o contrato, precisei encontrar um emprego, já que moro sozinha e preciso me manter. Estou trabalhando como atendente em uma cafeteria há 15 dias”, comenta 

ÁREAS EM DESTAQUE NO MERCADO

A projeção para os próximos meses, segundo Rambalducci, é que Londrina continue em processo de aumento no número de contratações, com um excedente significativo na área de prestação de serviços e comércio. Incluindo professores da rede privada que devem retornar aos seus postos de trabalho com a volta do ensino presencial, o setor de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação), manutenções domésticas e bares e restaurantes que sofreram muito com a pandemia e absorvem um grande contingente de mão de obra. 

Marcos Rambalducci: "No final do ano passado, foram perdidos cerca de 5 mil postos de trabalho em Londrina, ou seja, grande parte das contratações que vimos este ano, foram recuperações do ano passado; agora ´´e que começamos o real crescimento"
Marcos Rambalducci: "No final do ano passado, foram perdidos cerca de 5 mil postos de trabalho em Londrina, ou seja, grande parte das contratações que vimos este ano, foram recuperações do ano passado; agora ´´e que começamos o real crescimento" |  Foto: Acervo pessoal
 

Os empregos temporários que costumam surgir no final do ano com a movimentação do comércio pelo Natal e Ano Novo, também devem impactar no saldo positivo de contratações formais. “Vão surgir muitos empregos agora neste mês de novembro e dezembro e serão, em sua maioria, empregos temporários. E tenho a impressão de que nós teremos uma média superior de recontratação em relação a anos anteriores. Nós sabemos que em torno de 20% das pessoas contratadas como temporárias, são efetivadas. Este ano nós devemos ter índices oscilando entre 28 a 32% de retenção dessas pessoas contratadas temporariamente”, destaca o professor. 

A tendência é que as empresas que demitiram seu quadro de funcionários durante a pandemia, contratem temporariamente para que possam sentir como está o mercado e como evoluem as suas vendas, para depois efetivar esse contingente de pessoal. O que se tornou possível com as mudanças na legislação e a flexibilização das relações de trabalho. 

INDÚSTRIA DEVE SOFRER 

O setor industrial vinha capitaneando a geração de empregos em Londrina, mas a projeção para os próximos meses é que não teremos a mesma expressão. Apesar da Indústria em Londrina representar cerca de 15% do PIB de Londrina, cerca de 35% dos empregos formais da cidade foram gerados pelo setor que, com isso, acaba fomentando outras áreas da sociedade,  como pontua Rambalducci : "Quando você tem empregos na Indústria, que são empregos que pagam melhor, essa pessoa vai comprar e na hora de comprar vai exigir um vendedor para atendê-la, então, é  a Indústria que empurra os demais setores.”

Mesmo com a diminuição no número de contratações que deve acontecer nos próximos 2 ou 3 meses, os postos de trabalho gerados por este setor e pelo comércio - acelerado por ele, já estão garantidos. A normalização da circulação com o avanço da vacinação e o combate à Covid-19, devem trazer uma demanda reprimida de consumo neste final de ano, de pessoas que querem sair para as ruas e comprar em lojas físicas. O que será incentivado ainda mais com a iluminação e decoração de Natal típicas desta época do ano. 

O QUE NOS AGUARDA EM 2022

Os números que podemos esperar para 2022 dependem diretamente de questões que precisam ser superadas em nível mundial. Como é o caso do setor automobilístico. Segundo o professor Rambalducci, mesmo que em Londrina não tenhamos montadoras de veículos, a venda de carros seminovos acontece a reboque da comercialização de veículos novos. A recuperação do setor com a volta da circulação de veículos, também irá beneficiar as oficinas mecânicas, bastante afetadas durante a pandemia. Já, o quanto será essa recuperação depende de tópicos como o controle da inflação, que se não estabilizada,  tira o poder de compra do trabalhador.

Independente do cenário que encontraremos no ano que vem, é fato que não teremos mais a mesma projeção de geração de empregos que tivemos em 2021. “Eu projetaria um crescimento do PIB de Londrina para o ano que vem de 2,2% mais ou menos, o que equivale de 2.500  a 2.700 postos de trabalho que devem ser gerados, bem diferente da projeção de 10 mil empregos que devem ser gerados até o final deste ano. 

GERAÇÃO DE EMPREGOS CONTÍNUA 

Para que Londrina tenha um saldo positivo de contratações a longo prazo e de maneira contínua, é importante incentivar o setor da Indústria de Tecnologia e do Turismo. “São dois setores que é preciso fomentar para que entre dinheiro novo na cidade”, pontua Rambalducci. Para o professor, Londrina precisa sair dos 15% no setor Industrial,  para no mínimo 23%, algo que depende de um planejamento estratégico de longo prazo, diferente do turismo, um setor que pode ser incentivado  a um prazo mais curto. Fazendo uma projeção futura a partir do cenário que a cidade encontrava em 2015, Londrina ainda precisaria gerar cerca de 25 mil postos de trabalho. “Não queremos uma cidade rica, mas uma cidade rica para todos, onde todo mundo possa ter emprego e levar pão, arroz e feijão para dentro da mesa”, destaca. 

REVISÃO DO CAGED NÃO IMPACTA LONDRINA 

Os dados do Caged divulgados pelo governo federal, sobre o saldo de empregos formais gerados no Brasil em 2020 passaram por uma série de revisões, fazendo com que o número divulgado inicialmente pelo governo em relação à diferença de contratações e demissões, caísse pela metade. Em um primeiro momento, segundo o Ministério da Economia, o indicador havia ficado positivo em 142.690 vagas em 2020, o que foi amplamente comemorado pelo poder público. 

O primeiro número divulgado, resultou da comparação entre 15.166.221 admissões e 15.023.531 desligamentos no ano passado. Após as revisões o saldo que era positivo encolheu 46,8%. A diferença ficou menor devido ao aumento nos registros de demissões. O número de cortes ficou 2,2% maior, pulando para 15.361.234. Já as contratações aumentaram 1,8%, para 15.437.117.

Empresas que perderam o prazo para declaração das informações podem enviar os dados ao governo fora do período em questão. Os atrasos costumam acontecer, mas a diferença dos números é que chama atenção. Um dado importante é que por muitas empresas terem sido afetadas pela pandemia em 2020, os números podem ter sido subdeclarados. 

No entanto, mesmo com a revisão, o saldo do Caged do ano passado continua positivo. Em Londrina, a revisão dos dados também não impactou no balanço feito pela pesquisa apresentada pela UTFPR. Como afirma o professor e economista, coordenador da pesquisa, Marcos Rambalducci. “Eu não notei nenhuma discrepância entre uma projeção e outra. Como nós viemos acompanhando todos os meses ao longo dos últimos 5 e 6 anos, não foi possível identificar se aqui em Londrina houve algum impacto que mostrasse um descompasso de continuidade. O que a gente percebe é um processo muito lógico e contínuo.”

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