A criação de espaços compartilhados de trabalho é uma tendência incluída no planejamento estratégico de Londrina para os próximos anos
A criação de espaços compartilhados de trabalho é uma tendência incluída no planejamento estratégico de Londrina para os próximos anos | Foto: iStock

Ampliar os espaços físicos de apoio e destinados à inovação - pré-incubadoras, incubadoras, aceleradoras, coworkings, centros de inovação, parques tecnológicos e centro de eventos - é parte dos planos para impulsionar ambiente e cultura de inovação em Londrina nos próximos 20 anos.


Com planejamento, a Londrina de 2040 já está sendo desenhada e profissionais com olhar no futuro já se movimentam para tal. Conforme dados publicados pela Prefeitura de Londrina, a MacroPlan, empresa licitada para realizar o planejamento estratégico, ouviu depoimentos de 82 lideranças de diversos segmentos, que somaram mil e 300 páginas de transcrição.

As enquetes com servidores públicos trouxeram novas 103 contribuições, além disso, via site e redes sociais, chegaram outras 108 respostas de enquetes e comentários para o MasterPlan. A Londrina de hoje não aceitará falta de planejamento amanhã”, disse o prefeito Marcelo Belinati ao vislumbrar uma cidade conectada, competitiva, produtiva, sustentável, criativa, moderna e atrativa em diferentes segmentos do mercado.

Na quarta-feira (11), durante a 6ª reunião do Comitê Consultivo do MasterPlan, foi entregue o produto "Indicações para o Desenho Urbano Conceitual" finalizando a execução do Bloco 2: "Aonde Queremos Chegar?" dentro do planejamento estratégico de Londrina 2040.


COWORKING É ALTERNATIVA SEGURA E ECONÔMICA

Rodrigo Fagundes, do Villa Rica: "O coworking é um modelo de negócio que veio para ficar"
Rodrigo Fagundes, do Villa Rica: "O coworking é um modelo de negócio que veio para ficar" | Foto: Walkiria Vieira

Em fase de finalização, o Villa Rica Coworking localizado no centro histórico de Londrina tem previsão de inauguração para setembro. De acordo com o gestor do espaço, o advogado Rodrigo Fagundes, o coworking foi concebido antes da pandemia eclodir e está inserido no complexo que inclui o cinema revitalizado, espaço para eventos corporativos e sociais e uma cafeteria. O Villa Rica Coworking oferece espaços individuais, salas de uso coletivo, sala de aula, uma cozinha show e um estúdio para produção de conteúdo. "Hoje as mídias sociais estão muito ativas e o estúdio está ao alcance de todos, assim o interessado não precisam montar um estúdio, usam o nosso - que oferece todas as ferramentas de qualidade", aponta.


Fagundes entende que os espaços compartilhados ganharam relevância com a pandemia. "O home office não consegue ser aplicado a todos. Alguns se adaptaram ao home office, mas há situações em que a pessoa tem cachorro e criança no ambiente doméstico e nem sempre consegue respeitar os horários de trabalho e render o suficiente", expõe. Segundo o gestor, a disciplina, a produtividade e a sociabilidade são pontos que valorizam a adesão aos coworkings. "É uma experiência diferente de ter o seu próprio escritório. Não é pior, nem melhor, mas uma oportunidade de conhecer novos fornecedores, ter interação, troca de experiências e até o fechamento de novos negócios em razão da possibilidade de relacionamentos", sustenta Fagundes.



Em uma área de 400 m2 e em dois andares, antes mesmo de ser inaugurado o Villa Rica Coworking passou por adequações por causa da pandemia. O distanciamento das mesas, o intervalo de uso das mesas para limpeza são exemplos para garantir a segurança dos usuários. Com diferentes opções de contrato - horas, mensal, uma sala fixa anual, o Coworking Villa Rica irá funcionar das 8 às 22 horas com secretária para atendimento de recados, recepção de correspondências e comodidade para trabalhar.

Fernanda Imada de Lima, doutoranda em Ciências Ambientais: "O consumo colaborativo são exemplos positivos de compartilhamento de espaços"
Fernanda Imada de Lima, doutoranda em Ciências Ambientais: "O consumo colaborativo são exemplos positivos de compartilhamento de espaços" | Foto: Divulgação/arquivo pessoal

CONSUMO CORPORATIVO


Analisar como os coworkings e as redes de consumo colaborativo podem reduzir o consumo de massa e contribuir para novas escolhas de consumo e catalisadores das mudanças climáticas e impactos ambientais é o objetivo da doutoranda em Ciências Ambientais da UFSCar - Universidade Federal de São Carlos, Fernanda Imada de Lima.

Em seu trabalho de pesquisa de campo, a doutoranda ouve os empreendedores e usuários a fim de apurar se o modelo de negócio possui viés ambiental. "Os espaços de coworking e consumo colaborativo, as redes de consumo, os closets compartilhados, Uber, Airbnb são exemplos positivos de compartilhar um espaço, uma roupa, um carro, um imóvel, mas ainda existe uma resistência". Imada entende que é preciso haver uma mudança cultural, pois muitas pessoas ainda conservam a ideia de ter o seu escritório, o seu carro, por exemplo", cita.



Imada avalia que as cidades universitárias são mais abertas a esses modelos de negócio. "Existem startups, um pensamento mais aberto e a ciência de que estamos vivendo uma situação de colapso no Planeta e precisamos superar essas barreiras culturais", sustenta. "Os recursos naturais são finitos e cada cidadão precisa assumir a sua responsabilidade sobre suas ações para não sobrecarregar tanto esses recursos". A doutoranda também avalia a motivação de pessoas que procuram espaços compartilhados e se já estão alinhadas com a possibilidade de reduzir e consumir de modo mais sustentável. "No mês passado, o planeta esgotou sua capacidade de fornecimento de matéria-prima o suficiente para alimentar a cadeia produtiva e reparar isso. Estamos com saldo negativo", alerta.

SITE MOSTRA COWORKINGS DO BRASIL

De acordo com coworkingbrasil.org, os primeiros espaços de coworking moderno chegaram ao Brasil em 2008, em São Paulo. Entre os mais antigos, figuram o extinto Ponto de Contato e o Impact Hub São Paulo. Ambos na capital paulista. De acordo com o cofundador do coworkingbrasil.org, Fernando Aguirre, tradicionalmente, espaços de coworking são vistos como locais de inovação e criatividade, sendo bastante adotados por profissionais e empresas de áreas criativas ou de tecnologia. No entanto, há muito tempo o coworking deixou de ser apenas para startups descoladas. "Hoje, vemos basicamente todo tipo de empresa e profissão ao circular pelos corredores de um coworking". Em Londrina, o site aponta três em funcionamento. No site é possível pesquisar por estados e municípios.

O coworkingbrasil.org considera o formato como uma nova forma de pensar o ambiente de trabalho. Seguindo as tendências do freelancing e das start-ups, os coworkings reúnem diariamente milhares de pessoas a fim de trabalhar em um ambiente inspirador. "Essa união de pessoas permite que mais e mais escritórios se espalhem pelo país. No Brasil, contam-se mais de 100 espaços. No mundo todo, estima-se que já existam mais de 4.000 espaços em funcionamento", apresenta.

Em um estudo realizado em 2018, os 578 entrevistados que frequentavam espaços de coworking reportaram que após migrar para o espaço: 62% melhoraram sua saúde e disposição geral; 67% melhoraram sua vida social; 43% aumentaram sua renda mensal; 72% melhoraram seu networking profissional; 37% melhoraram seu relacionamento com a família; 63% melhoraram sua organização pessoal; 77% melhoraram sua produtividade no trabalho. "Além disso: 33% já foram contratados para um projeto por um colega que conheceu no espaço; 29% já contrataram um colega do espaço para ajudar em um projeto; 73% afirmam que já aprenderam algo novo com colegas do espaço", reforça Aguirre.

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