Especialistas apontam que é necessário entender que empresas são feitas por pessoas e que o capital intelectual é o maior valor de qualquer negócio
Especialistas apontam que é necessário entender que empresas são feitas por pessoas e que o capital intelectual é o maior valor de qualquer negócio | Foto: Shutterstock



"Funcionários ou não, todos somos empreendedores e essa é postura demandada pelo universo do trabalho frente a um cenário em que a necessidade de mudar é via de regra para os negócios". A afirmação categórica vem do gerente de Inovação e Tecnologia do Sistema Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), Felipe Couto, que está à frente do laboratório de inovação da entidade para trabalhar no ambiente industrial a mudança de cultura e modelagens criativas de gestão capazes de instigar as melhores performances das equipes e, por consequência, levar as organizações aos resultados projetados.
No entendimento de Couto, independentemente de ter um empreendimento ou do regime de trabalho em que cada profissional está contratado, já passou da hora de quem vive da receita gerada pelo próprio trabalho entender que essa postura empreendedora não só é demandada pelo mercado, mas serve para que cada indivíduo ajuste valores e competências ao negócio mais compatível a forma como se quer produzir para esse mundo em transformação. "Bater ponto ou passar o crachá, por exemplo, assim como horários pré-estabelecidos de trabalho estão praticamente superados. A flexibilidade de horários é inerente aos ambientes de alta performance cuja contrapartida de cada profissional é a responsabilidade e se trabalha visando resultado, o bom serviço ou o bom produto, e não apenas o ato de entregar", orienta. "Responsabilidade essa que torna óbvia, por exemplo, em um restaurante a equipe desfrutar da flexibilidade do horário, tendo em mente que o tempo de espera das refeições apresenta limites, assim como o horário em que as pessoas vão aos estabelecimentos, ambos são parte do negócio e do conjunto de um serviço de excelência", exemplifica. "É a diferença entre zona e ambientes criativos, onde o baixo nível de autoritarismo ou processo de disciplina são partes das estratégias para permitir fluidez às equipes, basta observar empresas extremamente bem sucedidas, como a Google, para entender que a contrapartida de tanta flexibilidade é responsabilidade, comprometimento, engajamento e produção de altíssimo nível. Não se cria nada em ambientes rígidos, hostis e opressores, apenas se garante entregas", ressalta a consultora empresarial de reestruturação estratégica e professora de Inteligência Coletiva da Fae Business School, Deise Bautzer.

Ela ressalta que apesar de toda a automação e processos tecnológicos, entender que empresas são feitas por pessoas e que o capital intelectual é o maior valor de qualquer negócio é fundamental para o futuro de qualquer organização. "É esse capital intelectual que dá conta e coloca em prática os projetos, por isso que além das competências técnicas, selecionar ou observar na equipe as habilidades humanas, como respeitar o outro, principalmente o diferente dele, e valorizar as possibilidades de cada indivíduo na construção dos resultados daquela equipe correspondem a 65% do processo para alcançar determinado resultado, a parte técnica responde por 35%. Prova disso, são times esportivos repletos de estrelas que, quando não bem trabalhadas, não trazem resultados em esportes coletivos", informa.

'Ressignificar' o erro e banir o medo
Os pilares do fomento à inovação estão em um produto inovador, no modelo de negócio igualmente inusitado e na cultura que favorece o desenvolvimentos de modelos e produtos com esse viés. Nesse aspecto, o gerente de Inovação e Tecnologia do Sistema Fiep, Felipe Couto, ressalta a importância de 'ressignificar' o erro no ambiente corporativo. "No mundo todo, pelos principais polos de inovação, vejo uma relação direta entre as maiores e mais inovadoras empresas e sua baixa aversão ao risco ou alta disposição de errar. Até porque o entendimento deles para o erro é de tentar acertar, criar mais", esclarece. Na vivência de Couto, na medida em que a gestão propicia essa quebra de paradigmas na empresa, a resposta da equipe vem naturalmente. "Sem medo do erro, eu tento mais, faço mais, crio mais e me sinto parte daquele negócio, não um mero batedor de crachá que não se envolve com a empresa fora do expediente. Pois em ambientes assim, todos estão comprometidos com os resultados e o futuro do negócio". Além disso, Couto lembra que só não erra quem repete, ou seja, não inova.

Alinhada a isso, a consultora de reestruturação estratégica Deise Bautzer enaltece que está quase que em extinção o perfil de líder ou colaborador "pavio curto". "Não se tolera mais profissionais com pavio curto. Há empresas que preveem justa causa para esse tipo de comportamento", destaca.

Escolhendo o emprego conforme valores e momento de vida
Tanto Couto quanto Bautzer chamam a atenção que nessa busca por melhores relações de trabalho com foco em ofertar melhores serviços e produtos para a sociedade, além da sustentabilidade do próprio negócio, empresa e colaboradores devem compartilhar dos mesmo valores. "Com a tecnologia, as coisas acabam se misturando ainda mais. Tanto que sempre recomendo aos meus alunos que em redes sociais se entra mudo e sai calado a fim de não destruir relações. Basta pensar quantos casamentos e amizades já se desfizeram por conta desse advento para calcular o impacto na vida corporativa e se o comportamento for na contramão do negócio, as consequência são graves", ensina Bautzer.

Para Couto, essa correlação também serve de radar na escolha de onde se quer entregar a força de trabalho. "É preciso associar a oferta de trabalho a modelos de negócios inovadores, com propósitos adequados às suas crenças e valores e que estão gerando resultados, uma vez que profissionalismo requer remuneração também", reconhece. "Se eu percebo que o ambiente de trabalho no qual estou não espera ou quer algo novo, de fato, o novo gera conflito e cabe a mim procurar novos rumos", acrescenta o gerente de Inovação e Tecnologia do Sistema Fiep, Felipe Couto, constatando que esse tipo de situação é cada vez menos comum em tempos que a necessidade de mudança "é imperativa para qualquer negócio".

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