O mecânico de manutenção operacional Gilson Teles vai na contramão da tendência atual no ambiente corporativo: ele está há 40 anos na Coamo e não pensa em deixar o emprego tão cedo. Enquanto isso, seis em cada dez brasileiros pensam em mudar de emprego ainda neste ano, segundo a mais recente pesquisa do LinkedIn sobre o mercado de trabalho no país.

Hoje, aos 62 anos, Gilson já está aposentado no papel, mas optou por continuar trabalhando na cooperativa, com uma carga horária por volta de 44 horas semanais.

Nesses 40 anos de Coamo, passa um filme na cabeça de Gilson, que ingressou na cooperativa aos 21 anos, em 1982, como ajudante de serviços gerais na indústria de alimentos da cooperativa. Gilson se lembra que o contrato inicial era de seis meses e, caso fosse bem, poderia ser efetivado.

Ele não só foi efetivado como seguiu toda a carreira na Coamo. Ao ingressar no início da década de 1980, Gilson permaneceu nessa função por um ano e seis meses. Depois disso, chegou a ficar oito meses ausente da cooperativa, mas já retornou como maquinista e depois foi promovido como mecânico industrial.

Na sequência, Gilson foi transferido para a Gemop (Gerência de Manutenção Operacional), onde atua até o momento, na função de mecânico de manutenção operacional II.

Gilson trabalha hoje diretamente na manutenção e na montagem dos maquinários da cooperativa, o que inclui máquina de silo, secador, elevador e esteira transportadora de grãos.

Em todo esse tempo de empresa, Gilson se lembra exatamente das datas de promoção e também das décadas mais recentes completadas na empresa, momentos que o marcaram muito como profissional.

“Quando passei de mecânico 1 para mecânico 2, foi quando subi de cargo. Isso foi por volta do ano de 1995. Também me recordo de quando completei 30 anos na cooperativa e agora, os 40 anos. Todos esses momentos significam todo o reconhecimento do meu trabalho”, pontua.

Questionado sobre trabalhar tanto tempo em uma mesma empresa, Gilson responde simplesmente que o vínculo tão longo é resultado da paixão pelo que faz. “E a Coamo é uma empresa boa, que deu oportunidade para me desenvolver enquanto profissional, dando suporte e segurança financeira, para o sustento da minha família.”

Ele acrescenta que a Coamo sempre foi uma empresa boa para trabalhar. “Com o tempo ela foi crescendo, se estendendo até se tornar a maior cooperativa agrícola da América Latina”, destacou (leia mais abaixo).

E Gilson nem pensa em parar. Ele almeja, no futuro, montar a própria empresa de manutenção e prestar serviço terceirizado para a Coamo (sua segunda casa) e para outras empresas.

“A Coamo foi o suporte que tive nesses 40 anos. Foram conquistas realizadas profissional e pessoalmente. Consegui com o trabalho a formação profissional da minha esposa e das minhas filhas, além dos bens materiais. Não posso deixar de dizer que também fiz muitas amizades, amigos que considero como uma segunda família.”

HOMENAGEADOS EM 2023

Este ano começou com reconhecimento aos serviços prestados por Gilson. Ele integra o seleto grupo de 13 colaboradores da Coamo homenageados em 2023 por quatro décadas de serviços prestados à cooperativa – ele foi o primeiro homenageado, em solenidade realizada em fevereiro.

O diretor de Logística e Operações da Coamo, Edenilson Carlos de Oliveira, representou a diretoria no evento de homenagem que integra o Programa Tempo de Casa.

Gilson Teles integra o seleto grupo de 13 colaboradores com 40 anos de Coamo a serem homenageados em 2023: reconhecimento pelo trabalho
Gilson Teles integra o seleto grupo de 13 colaboradores com 40 anos de Coamo a serem homenageados em 2023: reconhecimento pelo trabalho | Foto: Arquivo pessoal

“Ao ser homenageado, o sentimento foi de gratidão pelo reconhecimento de todos esses anos na empresa. Vem a sensação de que cumpri meu papel com muito amor e responsabilidade. Caráter, disciplina, humildade, saber trabalhar em equipe e a boa convivência com colegas são valores pessoais que fizeram diferença nesses anos, para que eu cumprisse meu papel dentro da empresa”, conclui.

A COOPERATIVA

A empresa onde Gilson trabalha, a Coamo respondeu, em 2022, por 2,8% da produção brasileira de grãos, demonstrando sua importância estratégica na produção de alimentos em âmbitos nacional e internacional.

A cooperativa recebeu em 2022 um total de 7,47 milhões de toneladas, em 114 unidades localizadas em 74 municípios nos Estados do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, para recebimento da produção agrícola dos mais de 30 mil associados. A soja é o principal produto recebido, seguido pelo milho, trigo, café e outros.

A industrialização dos produtos recebidos objetiva agregar valor à produção dos associados e é feita em dois parques fabris.

Um deles fica em Campo Mourão (PR), composto por indústrias de esmagamento de soja, fábrica de margarinas e gorduras vegetais, indústria de óleo de soja refinado, fiação de algodão, dois moinhos de trigo, torrefação e moagem de café.

O outro fica em Dourados (MS), composto de uma indústria de processamento de soja, produção de farelo e óleo e uma refinaria. Em Paranaguá, no litoral paranaense, a Coamo mantém um terminal marítimo.

Na Coamo, os quase 9 mil funcionários efetivos, com suas competências funcionais, são responsáveis pela condução das operações e atividades da cooperativa.

NA CONTRAMÃO DAS TENDÊNCIAS

A permanência de Gilson por anos a fio no mesmo emprego vai na contramão das estatísticas atuais. Segundo a pesquisa do LinkedIn, pelo menos 20% já estão enviando currículos e se movimentando em busca de novas oportunidades.

Os motivos são inúmeros, segundo o levantamento. A maioria que deseja a mudança de ares (40%) é movida pela insegurança financeira e busca salários mais altos. Outros 39% dizem querer trabalhar num lugar onde conseguem conciliar melhor a vida pessoal e o emprego.

Segundo especialistas, esse movimento tem crescido no país, principalmente a partir da pandemia de Covid-19, quando o trabalho remoto foi adotado por muitas empresas devido ao isolamento social.

O estudo do LinkedIn revelou ainda que os trabalhadores estão bem confiantes de que vão conseguir mudar de emprego neste ano: 77% dos entrevistados acreditam que vão encontrar outra posição caso peçam demissão do trabalho atual.

Os números são ainda maiores entre os profissionais da Geração Z, com idades entre 25 e 34 anos: 82% dos entrevistados nessa faixa etária disseram que se sentiriam confiantes em conseguir uma nova função, enquanto 67% das pessoas com mais de 55 anos disseram o mesmo.

mockup