Jovens entrando cada vez mais preparados no mercado de trabalho, tendo que dividir espaço com profissionais experientes que cada vez mais tarde estão deixando seus cargos nas empresas. Essa é uma realidade enfrentada hoje no Brasil, mas como se adaptar a esse cenário? E as empresas como podem tirar o melhor dessas duas classes de profissionais?
Na palestra ''Jovens Para Sempre: como entender o conflito de gerações'', baseada em seu livro mais recente, o consultor e escritor Sidnei Oliveira, tenta desvendar o tema. Na semana passada, ele esteve em Londrina em evento promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos - Regional Norte do Paraná (ABRH-PR).
Oliveira explica que o momento vivido pelo mercado brasileiro é singular, onde a chamada geração Y - nascida entre os anos 80 e 90 - que foi estimulada de maneira diferente das demais gerações, com a acesso a tecnologia, estabilidade política e econômica se confronta com quem está no mercado. ''Estes jovens estão muito mais turbinados enquanto quem era jovem nos anos 80 estaria, pelo processo tradicional, em uma desaceleração profissional, mas com o aumento da expectativa de vida, eles estão acelerando ainda mais'', diz.
Para o consultor, esse conflito revela jovens bem preparados entrando no mercado, enquanto profissionais experientes estão se readaptando. Alguns fenômenos estão sendo sentidos pelas empresas devido a essa mudança. ''O jovem tem entrado mais tarde no mercado de trabalho, mas como não encontra uma situação muito favorável acaba deixando a empresa em busca de novas oportunidades, o que aumenta a rotatividade dentro das organizações'', aponta.
Rotatividade
Esta instabilidade de mão de obra representa um risco para as empresas, na visão do palestrante, uma vez que elas têm custo de contratação e preparação e depois perdem os profissionais. Oliveira afirma que há estudos mostrando corporações que antes tinham um índice de rotatividade de 3%, hoje trabalhando com 15% a 20%, enquanto instituições que já apresentavam um índice nessa porcentagem, devido suas características, atualmente chegam a perder de 60% a 70% dos seus funcionários em um curto período de tempo.
Oliveira acrescenta que o alto fluxo de funcionários dificulta a formação de novos lideres já que esses jovens serão sempre ''novatos'' em suas funções. Do ponto de vista destes profissionais, isso também não é bom, uma vez que nunca serão convidados a assumir responsabilidades e grandes desafios. ''Para o jovem, isso é ruim porque ele nunca adquire um padrão de competência aceitável. Para o veterano, é aceitável porque mantém ele no mercado. Para empresa, é perigoso porque ela não forma ninguém para cargos futuros'', resume.
Para solucionar esse problema o palestrante conclui que tantos os jovens quanto os veteranos devem mudar suas posturas diante do mercado de trabalho. ''O veterano precisa assumir a responsabilidade de ensinar esse jovem que está entrando no mercado de trabalho. Já o jovem tem que parar de ter medo de encarar o mercado e ficar esperando por uma oportunidade melhor para começar. Entre no jogo e encare com garra'', determina.

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