Geração Y: um desafio para as empresas
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de agosto de 2009
Mie Francine Chiba<br>Especial para a FOLHA 
Mônica Gisele Custódio, 22 anos, cursa Publicidade e Propaganda e trabalha como atendente e assessora de imprensa em uma produtora de softwares. Com sete anos teve seu primeiro contato com videogames e aos 12 com jogos na internet, interesses que mantém até hoje. Já fez cursos de animação, técnico em moda e dança do ventre, e hoje faz aulas de boxe.
Rodrigo Martins de Souza, 27, formou-se em Arquitetura e Urbanismo, especializou-se em gestão de empresas, hoje é diretor de arte e design em uma produtora de softwares, dá aulas de Desenho Industrial em uma faculdade e toca numa banda de rock. O primeiro contato que teve com tecnologias foi com um videogame aos seis anos.
O que eles têm em comum, além de trabalharem juntos e se interessarem por jogos eletrônicos? Ambos nasceram na década de 1980 e ocupam hoje espaço no mercado de trabalho. Fazem parte da chamada geração Y.
''Esse é o publico que está chegando às empresas. Não tem mais como negar a sua existência. E o que acontece agora é que essa geração é a primeira formada por uma superestimulação por informações desde criança'', afirma o consultor em gestão empresarial Sidnei Oliveira, em referência à superestimulação propiciada pela tecnologia que começou a agir com mais intensidade dos anos 1980 para cá.
De acordo com o consultor, que recentemente lançou um livro sobre o assunto, o jovem Y pôde ter contato com outras partes do mundo sem sair de casa. Soma-se a isso o fato de que as opções de cursos nas faculdades ou fora delas são muito maiores do que nas gerações anteriores. Todo esse acesso a novas informações, no entanto, fizeram desse jovem mais ''desfocado'', como designa Oliveira.
''O jovem é meio oprimido por todas essas possibilidades. É muito comum encontrar jovens sabendo que têm que fazer uma faculdade, mas sem saber o que precisam fazer. Eles não têm perspectiva de futuro pessoal''. Eles também são mais ansiosos (têm pressa em ver as coisas acontecerem) e mais questionadores. Mas questionam para aprender.
''A geração Y tem mais dificuldade em se adaptar a padrões preestabelecidos dentro da empresa, de postura profissional, de cumprir horários. Mas justamente por não estar acostumado a ficar preso a horários que, quando ele começa um trabalho, vai até o fim'', analisa Roberto Nishimura, gestor de Tecnologia da Informação da Sercomtel - que tem sete funcionários abaixo dos 30 anos, em um total de 50.
''O jovem da geração Y acha esquisito esse conceito de dia útil assim como acha esquisito o conceito do telefone com disco'', compara Sidnei Oliveira. É por isso que ele junta o dever com o prazer, e busca trabalhar em lugares onde faça o que gosta e se sinta bem. E se não estiver se sentindo bem no lugar onde trabalha, sai para buscar novos desafios.
''Uma reclamação muito constante dos gestores é que o profissional jovem não veste a camisa da empresa. Ele pensa em ficar lá enquanto estiver aprendendo, sendo desafiado, enquanto sentir benefício de estar na empresa'', avalia o consultor.


