Geração Y têm pressa para crescer
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de março de 2010
Mie Francine Chiba<br> Especial para a FOLHA 
Ambiciosos, ansiosos e inquietos. Essa é a visão que os gestores têm em relação à geração Y, aquela nascida entre o final dos anos 70 e início dos 90 e que está entrando hoje no mercado de trabalho. Em uma pesquisa realizada pelo Ateliê de Pesquisa Organizacional, em São Paulo, que tentou captar a percepção que os gestores têm dessa geração, 83% deles concordam que os jovens de hoje têm muita ansiedade para crescer na empresa. ''São imediatistas'', ainda afirmaram 76% dos gestores. O excesso de ambição também foi atribuído à geração Y por 69%.
A pesquisa ainda chegou à conclusão de que, enquanto os gestores permanecem muitos anos na mesma empresa, os jovens de hoje mudam de emprego com muita rapidez e facilidade, guiados por uma remuneração mais atrativa, pela satisfação imediata ou pelo prazer.
''Esses funcionários com baixa idade têm uma certa inquietude. Querem ser promovidos de uma maneira muito rápida. E alguns mostram essa inquietude de ser promovido até no período de experiência'', declara José Carlos Vargas, diretor da Advise do Brasil, empresa de tecnologia da informação para a área jurídica. Segundo ele, aproximadamente 95% dos funcionários que trabalham na empresa têm entre 18 e 25 anos.
De acordo com a psicóloga e diretora do Ateliê de Pesquisa organizacional, Suzy Zveibil Cortoni, esses jovens cresceram na era digital, em que a velocidade é um aspecto impresso e valorizado no cotidiano não só da vida profissional, mas da vida pessoal, social e afetiva. ''Muitas coisas são descartáveis e o que não serve é 'imediatamente' substituído. A relação desses jovens com a empresa é baseada numa lealdade aos próprios princípios. Portanto, se essa empresa não lhe der a condição de satisfação idealizada, muito provavelmente outra poderá oferecer o que ele pretende'', alerta.
Oportunidades
Com pouco mais de um ano de formado, o engenheiro eletricista Rodolfo Preto de Castro Costa já passou por três grandes empresas ligadas ao setor de telecomunicações, e agora vai para a quarta, integrar o programa de trainee. Em todas elas, o motivo de saída foi a busca por oportunidades maiores de conhecimento e de crescimento. ''O programa de trainee dá mais oportunidade de treinamento técnico e de gestão de pessoas, é mais amplo. E a oportunidade de crescimento de carreira é muito maior do que trabalhando como funcionário normal'', avalia Costa, sobre a razão que o levou a mudar de empresa recentemente.
O programador da Advise do Brasil, Fernando Toshiyuki Fujikawa, resolveu deixar a empresa anterior quando percebeu que seu trabalho não estava evoluindo. ''Sempre procurei aprender bastante, estudar, melhorar o que estou fazendo. E como nunca mudava o serviço, isso acabou me desmotivando'', justifica.


