Quando o telefone tocava e Paulo sabia que era seu 'chefe' a apreensão tomava conta do ambiente. ''Eu sabia que viriam ataques e humilhações e essas situações alteravam meu psicológico. Quando ouvia o nome dele ficava completamente sem reação ante as ofensas e chegava a suar frio'', relata.
Os destratos normalmente eram os mesmos. ''Ele sempre me comparava a seres inanimados, me chamava de 'anão de jardim', 'vaquinha de presépio' e dizia que queria ao lado dele gente que fosse competente e pensasse grande, com tom de menosprezo''.
As atitudes grosseiras, em 2004, deixaram de ser verbais e começaram a vir em forma de memorando com palavras de baixo calão. Nesse mesmo ano, Paulo foi transferido para uma filial e achou que tudo tinha terminado, mas se enganou.
A perseguição seguia ora por telefonemas, ora por desacatos verbais na frente de quem fosse quando se encontravam. Afinal, um era o diretor e o outro gerente e precisavam resolver assuntos comuns.
Não aguentando mais as humilhações e ofensas ele resolveu enviar um relatório para a matriz contando detalhadamente o que estava ocorrendo, mas tudo foi em vão. ''O demitido fui eu, em 2006'', conta. No ano seguinte ele entrou com uma ação trabalhista por Assédio Moral, que está em trâmite até hoje. ''Ganhar dinheiro nunca vai apagar ou amenizar humilhações e xingamentos. Hoje, apesar de estar empregado, sofro com quedas de pressão por conta do emocional que ficou abalado e com uma enxaqueca crônica que muitas vezes me faz parar no hospital, problemas que antes não existiam'', argumenta.
Na opinião de Paulo, a responsabilidade pelo assédio moral deveria deixar de ser apenas da empresa. ''A pessoa que cometeu as atrocidades teria que ser responsabilizada criminalmente. Com a atual legislação apenas a empresa é penalizada e não o responsável pelos atos, com isso, tranquilamente continuará cometendo desrespeito contra outros subordinados'', arremata.(K.A.)

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