Funcionários com deficiência intelectual trabalham na Santa Casa há mais de dez anos
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domingo, 14 de outubro de 2018
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 

Em julho de 2005 foi instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Foi nesse ano que alguns dos alunos da Apae (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais de Londrina) passaram a trabalhar na Irmandade Santa Casa de Londrina (Iscal). Maurício Pereira Leite possui deficiência intelectual e física. Ele relembra que naquela época fez teste para ver se teria aptidão para trabalhar ali. "Eu estou aqui há 13 anos. Tudo no começo é difícil. Este é meu segundo emprego", afirmou.
Segundo ele, no início foi difícil para aprender como desempenhar suas funções no trabalho. "Mas depois que aprendi, ficou fácil. Um funcionário me ensinou passo a passo como eu tinha que trabalhar", destacou. Sua função na entidade é realizar a identificação dos produtos afixando etiquetas em embalagens de seringas, sondas e outros itens utilizados no hospital. "Depois que tive treinamento, não tem segredo mais. Às vezes surge algo diferente e a gente pergunta para os outros sobre como fazer", apontou. "Meus colegas são legais e simpáticos comigo. Quando tenho dificuldades, eles me ajudam. Eu me sinto realizado, feliz. É uma coisa pela qual a gente lutou muito para conseguir", enalteceu.
Domingos Pereira da Cruz, 37 anos, trabalha na Iscal como auxiliar de serviços gerais há mais de uma década. Ele teve de começar a trabalhar porque seu pai e sua mãe morreram. "Eles que cuidavam de mim. Hoje eu ganho meu próprio dinheiro e meu irmão também ajuda. Quando comecei a trabalhar aqui foi um pouco complexo", apontou. Ele recebeu treinamento pelo departamento de recursos humanos da irmandade de maneira bastante cuidadosa. "No começo eu senti dificuldades na hora de colocar a etiqueta, porque ela ficava meio torta. Eu gosto de trabalhar aqui. Acho que tem um ambiente bom."
Outro auxiliar de serviços gerais é Wagner Birches Barbosa, de 34 anos, e realiza a entrega de medicamentos nos hospitais da Iscal. "Quando falaram que eu ia entregar remédio achei que ia ser fácil, mas no começo eu ficava perdidão, porque não conhecia tudo. Eu não posso entregar nada errado e quando estava em treinamento me orientaram a entregar tudo certinho. No começo sentia dificuldade, mas agora faço tudo certinho", declarou. Hoje ele afirma que o trabalho é muito bom. "Os colegas ajudam todo mundo. Agora estou muito feliz", concluiu.


