Fui obrigado a fazer um retrospecto
Um dos programas que as agências de recrutamento consideram mais eficientes no desenvolvimento de ações voltadas à recolocação no mercado de trabalho é o outplacement. Geralmente, as próprias empresas demissionárias o contratam visando a absorção de seus ex-profissionais por outras empresas. Foi o que aconteceu com o gestor de Recursos Humanos de um grupo administrador de consórcios em Londrina, Marco Antônio Silva. Acostumado a recrutar profissionais, ele sofreu o processo inverso em março de 2006, quando foi demitido após 20 anos de empresa. No acordo, Silva solicitou que o grupo lhe proporcionasse a participação em um programa de outplacement numa empresa em Curitiba, onde pretendia morar.
Além de desenvolver habilidades específicas relacionadas à própria área de atuação, o programa incentiva o cliente a revisar o currículo e direciona suas potencialidades de acordo com seu perfil profissional. "Quando fui demitido, tinha a ideia de montar uma consultoria. E no programa, tiraram isso da minha cabeça. Que experiência eu tinha para vender? Tive uma preparação realmente eficiente. Serviu para eu entender que meu currículo estava desatualizado, foi um tempo onde pude revisitar minha carreira, ver onde errei, onde poderia desenvolver mais, qual projeto não deu certo. Fui obrigado a fazer esse retrospecto", relata Silva.
Em meio ao programa, ele também desenvolveu projetos com profissionais de consultoria para se manter ativo. "Isso foi muito importante também nesse processo de readaptação da minha vida", conta. Quatro meses após a demissão, Silva foi contratado como gerente de Recursos Humanos de uma multinacional belga de produtos químicos na capital. E aí pôde levar a esposa e os dois filhos. Hoje, ele se considera plenamente realizado. "Hoje eu vejo que é importante você revisitar a carreira e ter domínio sobre ela", reflete. (D.P.)





