Voltar às salas de aula depois de concluir a faculdade não estava nos planos de Samuel Rodrigues de Oliveira e Ricardo José da Silva Formados em Engenharia, os dois não tiveram alternativa que não fosse se matricular em um curso técnico para poder competir no mercado de trabalho Em Londrina, a volta da oferta desse tipo de ensino é notícia para se comemorar, tanto por quem procura trabalho como por quem oferece
Os casos de Oliveira e Silva não são únicos Cada vez mais pessoas de diferentes idades e formação acadêmica têm recorrido aos cursos técnicos como forma de garantir o futuro profissional
A redescoberta dessa modalidade educacional, que até os anos 1980 atendia praticamente a alunos da rede pública que faziam seus cursos simultaneamente ao ensino médio, mais que uma tendência é uma necessidade Com seguidas altas na maioria dos indicativos econômicos, o Brasil corre o risco de ver sua indústria ter que diminuir drasticamente o ritmo de crescimento por falta de mão de obra especializada
O ''apagão'' industrial pode acontecer justamente pela ausência de técnicos de nível médio, raros no mercado Focados na prática profissional, cursos técnicos são o contraponto ao excesso de teoria embutido nos currículos das universidades
Foi por causa disso que Oliveira e Silva resolveram engavetar seus diplomas O que faltava para ambos era conhecimento do dia a dia de uma fábrica, coisa que empregadores têm valorizado como nunca antes de realizar qualquer contratação Depois de mais de uma década de total estagnação, classes começam a ficar novamente cheias em escolas como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Instituto Politécnico de Londrina (Ipolon), para citar duas das mais tradicionais instituições da cidade
A primeira, com oito cursos técnicos, passa a oferecer biotecnologia a partir do início do ano que vem e prepara-se para inaugurar duas faculdades na área tecnológica no segundo semestre de 2011 Há pouco mais de dez anos, o Senai chegou a ter apenas quatro turmas; hoje são 30, nas áreas de Informática, Mecânica, Instrumentação Industrial e Vestuário, entre outras
No Ipolon, o mesmo se repete Ligado à Fundação de Ensino Técnico de Londrina (Funtel), o instituto investe em quatro cursos técnicos noturnos e no ensino médio integrado com o técnico
Com públicos diferentes, no primeiro caso são atendidos trabalhadores atrás de qualificação ou de reciclagem; no segundo, alunos em idade pré-vestibular, que cursarão o antigo colegial em quatro anos e, ao final, terminarão os estudos e terão uma profissão antes de partir para uma faculdade Como o Senai, também deve abrir graduação superior na área de tecnologia, ainda sem data prevista
Mesmo com os avanços recentes, o Brasil ainda engatinha nesse segmento Com menos de 10% dos alunos do ensino médio matriculados em cursos técnicos, o País está atrás da Coreia do Sul (37%), Alemanha (70%) e da Argentina (25%)
''O nosso sistema educacional é cruel Ele é formatado para colocar o cidadão na faculdade, para a formação de mestres e doutores Com isso não temos trabalhadores técnicos especializados e disponíveis para o mercado Estamos na contramão da história em comparação a outros países'', afirmou o superintendente do Ipolon, Moisés Pedro Betoni, para quem o caminho natural de qualquer estudante deveria ser o segundo grau técnico e depois a graduação
''No Brasil existe a cultura do bacharel, mas isso vem diminuindo Hoje, posso afirmar que tem muito engenheiro ganhando menos que um mestre de obras, um carpinteiro com boa formação'', destacou Alexandre Lourenço Ferreira, gerente da unidade do Senai em Londrina

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