'Faculdades querem saber como o aluno é como pessoa'
As bolsas de estudo são o caminho mais financeiramente recomendável para quem pretende fazer uma faculdade nos Estados Unidos. Embora no caso dos dois ex-tenistas de Londrina, Adriano Mello e Henrique Norbiato, as bolsas tenham sido obtidas por meio do esporte, é mais comum o financiamento partir das bolsas acadêmicas. Pelo menos é o que acontece com a maioria dos clientes da empresa Daqui Pra Fora, especializada em assessorar estudantes que buscam a graduação no exterior.
O consultor educacional do empreendimento na Região Sul, Pedro Lunardelli, afirma que boa parte dos estudantes não tem relação alguma com os esportes. Mas para conseguir as bolsas, há que se preparar muito. Nos testes de admissão, o aluno presta exames de proficiência na Língua Inglesa, geralmente o TOEFL, o ACT ou o SAT (este, similar ao Enem), considerados os de maior prestígio. "O exame pode ser feito desde o primeiro ano do Ensino Médio; vai valer sempre a melhor nota", explica Lunardelli. Além das notas, há outros critérios de seleção que as universidades também podem levar em consideração, segundo o consultor, como cartas de recomendação dos professores e atividades extracurriculares que o aluno procura desenvolver. "É um processo subjetivo, tem vários fatores levados em consideração. A faculdade quer saber quem o aluno é como pessoa, o que ele faz fora da escola, e não só a nota que tirou na prova", pontua Lunardelli.
O londrinense Gabriel Prescinato Vivan conseguiu bolsas acadêmicas em duas das seis universidades americanas para as quais fez testes de admissão. Acabou optando pela Western Michigan University, considerada referência em Engenharia Espacial, o curso que ele está prestando. "Eu optei por buscar a graduação aqui principalmente pelas oportunidades que eu teria e também pelo diferencial no ensino. A graduação em universidades americanas é muito diferente de quaisquer outras instituições no mundo. Primeiro pelo fato de você não precisar escolher um curso antes de entrar, e segundo pela liberdade que você tem para montar o seu currículo. Eu, por exemplo, pretendo me formar em Aerospace Engineering com ênfase em International Business, algo que não poderia fazer no Brasil em apenas cinco anos de curso", afirma o estudante em entrevista por e-mail.
O processo de admissão, adverte, é exaustivo. "É realmente muito cansativo, extenso e detalhado, sobretudo quando há necessidade de uma bolsa de estudos. Eu precisei de todo o meu histórico escolar desde a oitava série, precisei pedir cartas de recomendações de professores, redigir severas redações, além dos testes para admissão, como o TOEFL, SAT e ACT. Após acumular todos esse documentos e passar pelos longos formulários de applications, tive ainda de fazer algumas redações a mais para as bolsas de estudos. Felizmente, após todo o trabalho, fui aceito em 3 das 6 universidades às quais apliquei, recebendo bolsa de estudos em 2 delas." (D.P.)





