'Eu só chorava', conta profissional
A jovem Patrícia (nome fictício), 29 anos, em 2013 passou por uma situação de esgotamento profissional e emocional extremos. Trabalhando há apenas seis meses em uma empresa, no setor de eventos, ela viu-se obrigada a pedir demissão por não conseguir mais lidar com a pressão do trabalho, horário de expediente muito além do contrato e acúmulo de funções. "Na época, comecei a questionar minha capacidade profissional, porque eu não conseguia fazer todas as funções que eu deveria fazer. Hoje percebo que o problema não era comigo, e sim com a empresa", conta.
A jovem, formada em comunicação, viu uma ótima oportunidade quando fez a entrevista de emprego. Trabalhando na época fora da área, ela achou que a nova empresa lhe proporcionaria experiência em um setor ligado à sua formação, em horário comercial no seu emprego da época fazia plantões aos domingos e feriados e crescimento profissional. Viu o sonho ruir em apenas poucos meses. "Eu deveria trabalhar das 8h às 18h20, com período de almoço de 1h30. Somente quando tivesse eventos que sairia desse horário, mas isso eu já sabia. Mas quando comecei a trabalhar, além de ter um monte de trabalhos para entregar em cima da hora, me via indo em reuniões a noite, atuando até 12 horas por dia. Quando percebi, estava organizando um grande evento, trabalhando 14 horas por dia, sem horário de almoço. Tive um surto e só conseguia chorar".
Ela conta que a angústia começava no domingo. A depressão por ter de enfrentar a semana a deixava impossibilitada de fazer até mesmo hobbies e programas sociais com a família e amigos, pelo esgotamento emocional que a profissão estava causando. "Quando estava organizando esse último evento eu percebi que estava trabalhando muito mais do que eu precisava, e que ninguém valorizava. O pessoal de outros setores recebia para estar naquela reunião à noite, e eu não. Mas eles agiam como se fosse minha obrigação trabalhar fora do horário, muito além do que eu recebia, e comecei a sentir muita angústia e tristeza".
Após começar os surtos de choro, ela começou a se aconselhar com uma terapeuta e tomar florais, mas não percebeu melhora, já que o ambiente de trabalho não mudou. Após uma viagem que precisou fazer pela empresa, o surto piorou. Houve até um dia em que não conseguiu sair da cama e ir para o trabalho. "Liguei e avisei que não ia trabalhar. Fiquei o dia na cama, chorando, e percebi que não precisava de todo aquele estresse, de toda aquela pressão, mas estava me sentindo péssima profissional. Decidi pedir demissão no outro dia", lembra. A decisão só não foi tomada antes, segundo ela, por medo de ficar fora do mercado, sem salário.
Hoje, trabalhando em outra empresa, em um setor diferente, ela percebe que resgatou a autoestima como profissional. "Muitas pessoas na outra empresa eram doentes, tomavam remédio, faziam terapia. Percebi que o problema realmente não era comigo, e sim de gestão da empresa. Um chefe que chegava com um problema para você resolver 'para ontem', sem se importar com o volume de trabalho que eu já tinha em mãos. O ambiente que estou hoje é outro, muito mais leve, desafiador mas que me respeita como profissional. Estou muito satisfeita por ter tomado a atitude de mudar, e foi a única coisa que me fez melhorar", finaliza. (P.B.O.)





