A prova de múltipla escolha é uma ferramenta utilizada pela maioria dos concursos públicos como o principal método de seleção de candidatos, mas o que dizer se esse modelo fosse substituído ou até mesmo extinto.
Para muitos isso pode soar como algo impensável, no entanto, é exatamente o que propõe uma pesquisa realizada pelo Centro de Justiça e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Direito Rio, em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF). Para chegar a esta e outras sugestões de mudança no sistema de avaliação e aprovação em concursos foram analisados processos seletivos de 20 órgãos federais.
O estudo, financiado pelo projeto ''Pensando o Direito'', da Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), mapeou aspectos como carreiras com maior oferta de vagas e com melhores salários no serviço público, entre outros. O coordenador da pesquisa, professor Fernando Fontainha, adianta, no entanto, que o trabalho tem o intuito de discutir novas formas de avaliação, mas não tem a finalidade de se tornar um projeto de lei.
Conforme Fontainha, a proposta do fim do uso de questões de múltipla escolha baseia-se no fato de que embora elas cobrem certos conteúdos, não tem capacidade de descobrir se o candidato tem condições de atuar adequadamente no dia a dia do cargo a que concorre. ''Esse tipo de prova serve para aferir conhecimentos sedimentados e não é útil para avaliar competências e habilidades'', defende.
O professor pondera que as provas objetivas podem até fazer parte de um processo pré-seletivo, porém as fases de seleção, segundo ele, devem ser práticas focalizadas na avaliação de casos e situações-problema.
O estudo sugere ainda que a quantidade de tentativas de um concurseiro para um determinado cargo seria limitada em três oportunidades: isso aumentaria o seu foco e melhoraria seu preparo. Outro ponto levantado é que o sistema de concursos públicos seja racionalizado em uma empresa de seleção e recrutamento federal, ligada às escolas de governo e não de forma tercerizada como acontece atualmente.

Recrutamento

O estudo propõe ainda três possibilidades de recrutamento. Um deles seria o acadêmico, que buscaria por jovens egressos no sistema de ensino que seriam treinados para a função ofertada. A participação seria determinada pelo diploma e demais títulos acadêmicos, já as provas abordariam o ambiente escolar e uma espécie de estágio probatório seria obrigatório.
Já o recrutamento burocrático envolveria profissionais que já ocupam cargos na administração pública com interesse em focar suas habilidades no exercício de outra função. Seriam levados em conta o tempo de serviço público - mínimo de 5 anos - e provas relacionadas ao ambiente profissional da administração pública.
O terceiro método seria o profissional que traria trabalhadores do mercado para oxigenar o ambiente público. Experiência de trabalho - mínimo 10 anos - e provas ligadas ao ambiente de trabalho externo à administração pública fariam parte da seleção.

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