'Estamos sempre nos aperfeiçoando'
Curitiba - Pedro Prosdócimo Neto, diretor do grupo de concessionárias Euro Import, reconhece a mudança no novo perfil dos funcionários que trabalham nas oficinas da empresa. Tanto que no momento de contratar, a concessionária busca pessoas que já tenham alguma experiência em oficinas mecânicas, mas que também conheçam informática. Neto comenta que quando um carro chega na oficina, um técnico conecta o veículo a um computador para fazer o diagnóstico. "Aquela visão de um mecânico mais simples, que aprendeu o trabalho com o tio ou o pai, que abraçou a profissão por falta de opção está deixando de existir", afirma. Segundo o empresário, o bom profissional de hoje é valorizado e o salário é bem melhor do que a renda de um mecânico de antigamente.
Cursos e treinamentos nas fábricas das montadoras são bastante comuns, comenta o empresário. Não é só uma necessidade de aperfeiçoamento do próprio eletromecânico, mas uma exigência do fabricante. Leandro Rosa, de 28 anos, é mecânico há dez anos e trabalha em uma das oficinas da Euro Import, em Curitiba. Ele acompanhou bem essa mudança em sua profissão e destaca que não dá para ficar parado. "Estamos sempre nos aperfeiçoando", resume. Rosa acredita que apesar da crise econômica do País, o mercado de trabalho para bons mecânicos está em alta. "Não vai faltar serviço".
O otimismo de Rosa faz sentido. Mesmo com a queda de 20% em relação ao ano passado, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) prevê que serão emplacados este ano 2,779 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus novos em todo o País. E quanto aos seminovos e usados, a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) apontou que as vendas neste primeiro semestre de 2015, no Brasil, chegaram a 1,887 milhões de unidades.
José Renato dos Santos Júnior, de 33, é colega de Leandro Rosa na Euro Import e concorda que é preciso ir atrás de informações, cursos e treinamento nas fábricas das montadoras. "Todo dia tem que estar se aperfeiçoando, lendo bastante. Cada dia que passa tem mais tecnologia e mais informação no carro", afirma. Ele começou a trabalhar como mecânico de carros de corrida e de arrancada, aos 17 anos, em Curitiba, ao lado de um tio. Aos 18 anos entrou em uma concessionária e não saiu mais do ramo. A paixão por carros está no sangue de Júnior, que fez curso técnico no Senai. "O mecânico, hoje, precisa ter vontade de aprender", ensina. Quanto ao salário, ele diz que "compensa o esforço de fazer cursos e correr atrás de informações". (A.D.C.)





