Curitiba - ''Hoje, os estagiários estão na linha de frente das empresas. Não estão mais apenas na parte operacional.'' A frase é de Márcia Walter, gerente de recursos humanos da unidade de São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) da Brose, multinacional que fabrica componentes automotivos. É uma frase que resume bem o peso que atualmente é atribuído ao estágio, que hoje não se resume a uma atividade para cumprir horas da vida acadêmica ou apenas para engrossar o currículo.

O mercado de trabalho, principalmente nas grandes empresas, exige cada vez mais dos estagiários, mas ao mesmo tempo também lhes oferece mais oportunidades.

''A efetivação de estagiários é mais comum hoje do que há alguns anos. As empresas investem mais no desenvolvimento de pessoal, porque consideram mais vantajoso investir em alguém do que buscar uma pessoa de fora no mercado. O estagiário já conhece a cultura da empresa, está ambientado no local de trabalho'', explica Jordana Feltrin, gerente de recrutamento e seleção da empresa de recursos humanos Nossa, de Curitiba.

Ela afirma que estágios podem ser procurados em consultorias, sites, redes de contatos e através de indicações de professores e amigos. Juliana Oliveira Barbino, consultora de oportunidades da unidade de Londrina da Agência Brasileira de Estágio (Abre), destaca que as agências de integração têm sido utilizadas por muitas empresas para a abertura de vagas de estágio. ''É compensador financeiramente para elas'', justifica.

A consultora dá algumas dicas de como o estagiário deve se comportar. ''A pessoa tem que se apresentar de maneira responsável desde o momento em que chega à agência, onde ocorre uma pré-seleção. Além disso, é necessário ter foco, saber exatamente o que quer na área que escolheu, e ter transparência no relacionamento com a empresa'', explica.

Márcia Walter, da Brose, destaca que, além do básico (estar cursando nível superior e saber outros idiomas), o estagiário precisa ter a atitude de buscar fazer a diferença. ''A pessoa deve fazer tudo com vontade, trazer ideias novas e sugestões. Tem muita gente disposta a ensinar dentro das empresas. O importante é saber buscar'', diz a gerente. Ela acrescenta que o estagiário não pode ficar desmotivado mesmo quando não há perspectiva de efetivação.

''É fundamental fazer tudo bem até o final. Às vezes, os estagiários vão desanimando ao final do estágio. A pessoa precisa lembrar que, se não for contratada pela empresa onde está, isso pode acontecer na empresa ao lado. Ou, no futuro, até mesmo voltar à empresa'', diz Márcia, que aponta que a Brose de São José dos Pinhais efetiva aproximadamente 80% dos estagiários.

Foi o caso de Conrado Fukuda Gomes, de 25 anos, que começou na Brose em 2007 como estagiário na área de compras, foi efetivado como analista de vendas menos de um ano depois e hoje é engenheiro de vendas. ''Se você se dedica e mostra resultados, a efetivação é uma consequência. O comprometimento com a empresa é fundamental. O estagiário não tem experiência, então o que ele tem a oferecer é o compromisso e a vontade de aprender'', aconselha.

O estagiário Pedro Luiz Rudnik, 23 anos, que está na área de tecnologia da informação da empresa há oito meses, valoriza a experiência. ''É a primeira vez que faço estágio. Está sendo bem diferente. Queria algo que me permitisse conciliar o estágio com a faculdade (estuda Sistemas da Informação), que é bastante puxada. Estou colocando em prática o que aprendo e estou aprendendo mais sobre a minha área'', relata. ''Pelo conhecimento que é aplicado no dia-a-dia e pelo fato da empresa ser uma referência, o estágio agrega muito.''

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