Os números chegam a levantar uma interrogação entre muitos jovens: será que o mercado de Direito está saturado? No Brasil, estima-se que mais de 120 mil profissionais se formam anualmente. Considerando os aprovados no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a estatística é de 50 mil/ano.
Para o advogado e professor Zulmar Fachin, presidente do Instituto de Direito Constitucional e Cidadania (IDCC) em Londrina, é verdade que existe um número significativo de profissionais do Direito ingressando no mercado a cada ano, no entanto, ele ressalta que nunca deixará de haver espaço para quem se preparar.
Após a graduação e o exame da OAB, cursos direcionados, assim como as pós-graduações lato sensu, têm sido uma alternativa para aprofundar o conhecimento em determinada área e consolidar o currículo.
Além disso, quem faz uma pós-graduação em Direito tem a oportunidade de estagiar em instituições como o Tribunal de Justiça (TJ) e Ministério Público (MP). "A partir da graduação é preciso buscar uma verticalização do conhecimento. Nos últimos anos, abriram-se muitas vagas para os estágios que são uma importante conjugação da prática e teoria", comenta.
De acordo com a assessoria do Ministério Público do Paraná, as vagas de estágio preenchidas hoje por pós-graduandos somam 327, sendo que 98% são ocupadas por estudantes de Direito.
Em Londrina, são ao todo 31 vagas e a maioria também envolve os pós-graduandos da área. Uma experiência, que para quem teve a oportunidade de vivenciar, é tida como um "degrau" na carreira profissional.
"Me ajudou a consolidar os conhecimentos vistos em sala de aula, pois você passa a lidar com o público diariamente, se posicionando como profissional. Isso nos dá uma visão real dessa área de atuação. Eu por exemplo, não imaginava que o MP era tão ativo na área civil", diz Alessandra Cristina de Oliveira, de 27 anos.
Ela se formou em Direito, no final de 2013, pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e pouco antes de concluir a graduação, iniciou uma pós-graduação em Direito Civil, Processo Civil e Direito do Consumidor.
"A pós também era uma forma de me adaptar e aprofundar ao novo Código de Processo Civil. Nesse período, já aprovada no exame da OAB, passei a advogar, mas tive muitas dificuldades. Era tudo muito penoso. O início de carreira é difícil. Se trabalha muito e o retorno financeiro e a visibilidade não são rápidos como se imagina", ressalta.
Ao ver amigos estagiando durante a pós-graduação, Alessandra participou de processos seletivos no MP e passou. "Como o estágio é remunerado, em torno de R$ 1.700, já me ajudava muito e a jornada era de seis horas, o que me garantia tempo para estudar", conta ela, que está prestes a concluir a segunda especialização, na área de Direito Constitucional Contemporâneo.
Atualmente, Alessandra é juíza leiga em Santa Mariana e atua em um escritório em Londrina.

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