O professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Nestor Razente, se formou na década de 70 e de lá para cá já acompanhou mudanças importantes na profissão. "Nossa atividade não é independente de como o Brasil avança. Antes o arquiteto era um profissional das elites, nos últimos anos este perfil está mudando", diz, embora reconheça que ainda exista uma distância grande entre o verdadeiro papel do arquiteto e a maioria da população. "Ainda não é do conhecimento dos brasileiros o que os arquitetos podem fazer, por exemplo, pelas políticas de moradia. Há um vício histórico na crença de que arquiteto só constrói palácios."

Para Razente, "soa estranho" que em um país onde 87% da população mora em cidades, um profissional que se dedica sobretudo à edificação e planejamento urbano tenha tão pouca percepção por parte do conjunto da população brasileira. A explicação pode estar no fato de que apenas uma pequena parcela dos arquitetos trabalhem com planejamento das cidades, tema que, paradoxalmente, é uma das maiores causas de descontentamento da população. "Os poucos arquitetos que trabalham nesta área estão em órgãos públicos", constata.

Há 33 anos lecionando na UEL, Razente diz perceber que hoje muitos profissionais têm partido para os ramos da edificação e arquitetura de interiores. Até há alguns anos, segundo ele, a maioria estava focada no ato de projetar. Embora reconheça a importância das novas ferramentas de trabalho, o professor afirma que a grande preocupação das universidades é preparar, antes de tudo, profissionais criativos. "Esta é a essência da profissão. O ato projetual é sempre criação", defende. (S.L.)

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