Na maioria das profissões, o fim do curso de graduação garante a entrada no mercado de trabalho. No caso da medicina, a especialização, depois de seis anos de faculdade, é requisito básico para o currículo. Encontrar um médico sem pelo menos uma especialização é coisa rara nos dias de hoje, quando a medicina se torna cada vez mais dividida em especialidades. Mas escolher uma entre tantas possibilidades da profissão?
Além de levar em conta a vocação e gosto pessoal, os recém formados também pensam nas carreiras com melhores chances de sucesso. Com as mudanças na vida, comportamento e desejos das pessoas, muitas especialidades antes escolhidas por poucos se tornaram garantia de consultórios cheios e evolução constantes das técnicas e possibilidades de cura.
De acordo com o presidente da Associação Médica de Londrina, o ginecologista Antonio Caetano de Paula, ao observar os principais fatores marcantes na vida dos seres humanos é possível detectar quais especialidades serão fundamentais para a melhora da qualidade de vida dos atuais e futuros pacientes. ''Se levarmos em consideração o aumento da longevidade da população, por exemplo, podemos dizer que a geriatria é uma especialidade que tem muito a evoluir'', comenta.
A vida atribulada, sedentária e baseada em uma alimentação rápida e de pouca qualidade, como os restaurantes fast food, coloca as especialidades como cardiologia, cirúrgica cardíaca, endocrinologia, nutrologia, angiologia, cirurgia vascular e neurológica em uma posição de destaque. ''Essas especialidades terão muita procura em decorrência das alterações nos índices de colesterol, triglicérides e diabetes. Esses fatores levam à ocorrência de fenômenos tromboembólicos como infarto, acidente vascular cerebral e as tromboses venosas e arteriais'', esclarece Caetano.
Ao fazer uma análise sobre os fatores psicossomáticos que influenciam no desenvolvimento de doenças, o profissional considera a psiquiatria e psicanálise como de extrema importância para o tratamento dos seres humanos na atualidade. ''Se pensarmos na agitação que as pessoas vivem, sempre em busca de ganhos cada vez mais difíceis, aliada a indignação com os recorrentes escândalos públicos e de violência, teremos como local de destaque as especialidades que lidam com os problemas da mente'', exemplifica.
Já os efeitos negativos do buraco na camada de ozônio e a poluição atmosférica em níveis alarmantes colocam a dermatologia e a pneumologia em posição de destaque.
O presidente do Sindicato Médico do Norte do Paraná, o ginecologista José Luis de Oliveira Camargo, avalia que o futuro profissional de medicina precisa estar antenado à tecnologia aplicada aos procedimentos médicos. ''Os recursos oferecidos na medicina moderna exigem do profissional de saúde o domínio das tecnologias aplicadas no levantamento de diagnósticos precisos e tratamentos aprimorados, como a ressonância magnética, tomografia computadorizada, entre outros'', analisa Camargo.
De acordo com ele, o trabalho de mapeamento cromossômico, que recebeu grande salto evolutivo com o mapeamento do genoma humano, possibilitou uma grande melhora na medicina cromossômica. ''Hoje é possível detectar o desenvolvimento de doenças hereditárias e falhas cromossômicas no início da formação da vida e atuar desde já na sua reparação'', comenta.
Sobre um dos maiores desafios para a medicina moderna, a luta contra o câncer, Camargo considera de fundamental importância o desenvolvimento da oncologia e de suas subespecialidades para a busca de diagnósticos mais precisos e tratamentos menos invasivos. ''Contamos com aparelhos e meios cirúrgicos menos invasivos, que possibilitam um aumento da sobrevida do paciente'', esclarece Camargo.
E como não poderia deixar de ser, em tempos de Gripe A, a infectologia vêm ganhando grande espaço. ''Essa área conta com número razoável de profissionais mas tem tudo para crescer'', afirma.

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