Adaptar o ambiente de trabalho ao trabalhador é hoje uma exigência e incentivo vindos do governo. Atualmente empresas de todo o país são obrigadas a apresentar uma avaliação das condições do seu ambiente de trabalho e, caso isso não seja feito, deverão arcar com sanções, multas ou até o fechamento.
No ano que vem, entra em vigor um decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que reduz em até 50% os encargos referentes ao Seguro Acidente de Trabalho e do Risco Ambiental do Trabalho (SAT/RAT) das empresas que investem em melhorias pela saúde do trabalhador.
''No geral, eles (os empresários) estão preocupados, mas com a parte de cumprir as leis. Aqui (em Londrina) falta implantar as modificações. Vale à pena investir não só no diagnóstico, mas nas melhorias, no treinamento das pessoas, no acompanhamento, porque é isso que vai dar resultado'', enfatiza a fisioterapeuta do trabalho, Fernanda Sudan.
Essa adaptação do ambiente de trabalho é chamada de ergonomia, e tem o objetivo de identificar aspectos que podem causar desconforto ao trabalhador e modificá-las, prevenindo acidentes e possíveis problemas de saúde relacionados ao trabalho.
Segundo a fisioterapeuta, estima-se que o custo anual de acidentes no trabalho chegue a US$ 34 bilhões no Brasil, e os prejuízos da produtividade cessante a US$ 27 bilhões, sob a ausência de ergonomia.
O operador do setor de montagem da fábrica de baterias Rondopar, Gilberto Ferreira da Silva, teve tendinite devido ao ritmo de trabalho frenético do posto que ocupa na empresa. Na época, ele conta que operava uma máquina que exigia seis movimentos para a produção de cada bateria.
Produzindo cerca de mil baterias, no final do expediente, o saldo era de 6 mil movimentos com as mãos por dia. ''Depois eu comecei a fazer ginástica laboral e comecei a me sentir melhor'', lembra.
O gerente de Recursos Humanos da empresa, Raimundo Lopes Barreto, afirma que resolveu implantar as mudanças sugeridas pela fisioterapeuta do trabalho para reduzir os riscos de problemas de saúde nos funcionários. ''Já tínhamos o cuidado de não expor o colaborador (a riscos). Mas com o trabalho de uma fisioterapeuta a gente chegou à conclusão de que valia a pena fazer alterações'', diz.
Além de intensificar a rotina diária de ginástica laboral, as máquinas dos setores de montagem e expedição foram dispostas de forma que o funcionário não precisasse fazer um deslocamento muito grande das peças no processo de produção, e as plataformas onde elas ficam apoiadas foram reguladas na altura ideal para o trabalhador. ''Antes havia alguns casos de queixa de dor, e agora eles foram praticamente eliminados'', expõe o gerente.
De acordo com Fernanda, muitos empresários, preocupados com o custo, têm receio de implantar mudanças no ambiente do trabalho. ''Às vezes não custa muito, às vezes nem custa nada. E o lucro que ele vai ter com isso é muito maior'', ressalta.

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