Equipes: pelo bem da empresa
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de abril de 2010
Mie Francine Chiba<br> Reportagem Local 
Uma equipe é a evolução de um grupo, mas um grupo nem sempre pode vir a se tornar uma equipe. O grupo constitui um agrupamento de pessoas, onde cada um dá a sua contribuição, no entanto sem existir uma construção coletiva dos objetivos. Já em uma equipe, há desenvolvimento de objetivos em comum. O que vai determinar se um grupo vai se tornar uma equipe é o trabalho e a estratégia do líder.
Segundo empresas ouvidas, as maiores dificuldades enfrentadas nesse processo são relacionadas à comunicação interpessoal, à auto-confiança e à visão de um objetivo em comum a ser seguido. Existe muita dificuldade em saber lidar com a confiança de que algo vai dar certo e em se relacionar criando um ambiente agradável, conta o gerente de produção da Cromadora Londrinense, Cristiano Evaristo, que lidera um grupo de 12 pessoas na empresa.
Somos educados de forma individualista, premiados por êxitos individuais. Uma equipe não vai acontecer só porque está há muito tempo junta, é preciso investimento e é aí que entra o papel do líder, ressalta a psicóloga e consultora de empresas Maria Cristina Consalter. Segundo ela, não é possível formar uma equipe sem relacionamento entre os liderados e nem sem a relação de confiança entre a equipe e seu líder.
Nesse processo, a liderança deve desenvolver uma estratégia voltada à relação interpessoal, à motivação, à qualidade na tomada de decisões e ao comprometimento em uma tarefa de sua equipe. E para isso, o líder também precisa estar preparado. Se ele (o líder) tem condições para capacitar e treinar e se é um agente que promove diálogo, troca de feedback, tem a probabilidade de ter um grupo mais fortalecido, consciente de suas ações e de que, juntos, são capazes de realizar projetos.
Para o gerente de produção da empresa de confecções Natural Brasil, Thiago Vinicius Francisco da Silva, um líder precisa espelhar segurança e confiabilidade e transmitir a ideia de que a equipe pode contar com ele. Silva conta que essa foi a primeira necessidade sentida ao assumir uma equipe de cerca de 40 pessoas recentemente.
De acordo com Maria Cristina Consalter, o desenvolvimento de uma equipe é um investimento que requer tempo do próprio líder e, muitas vezes, apoio de consultores externos.
Programa
O desenvolvimento de equipes com a ajuda de um consultor externo pode ocorrer através de encontros programados com a empresa por meio de dinâmicas em que os funcionários são estimulados a vivenciar situações interpessoais, ligadas à comunicação no trabalho em equipe.
Nesses encontros, eles têm a oportunidade de refletir sobre sua postura e suas atitudes no ambiente corporativo, a fim de promover uma mudança comportamental. Se a pessoa não refletir, ela continua a repetir o mesmo erro, sem aprendizagem, alerta a consultora.
A montadora de estandes LPR adotou um programa de desenvolvimento de equipes com o auxílio de consultores e aprovou o resultado. Houve uma melhoria significativa nas pessoas, que ficaram mais abertas e atentas às suas atitudes, em como o comportamento implica no resultado final do trabalho, afirma a gerente do departamento comercial da empresa, Maria Helena Lemos de Almeida Lopes.
Além de promover esses encontros com a consultoria, a Maria Helena conta que ações como reuniões, revisão de processos, mais cuidados na transmissão de informações com maior acesso de todos e abertura para questionamentos e novas oportunidades também têm sido aplicadas na empresa para somar ao processo de desenvolvimento da equipe.


