Entrevista sem sustos
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de agosto de 2018
Rafael Costa <BR> Reportagem Local 

A entrevista é uma etapa decisiva na conquista de um novo emprego, mas muita gente ainda chega sem qualquer preparação prévia à mesa do entrevistador. O resultado pode ser um desastre: o que era para ser uma oportunidade para o profissional apresentar todas as suas competências acaba virando um show de nervosismo, hesitações e transpiração.
"Não tem coisa pior do que entrevistar alguém que não se preparou", diz Margarete Torres, responsável pela área de Recursos Humanos na Beauty Color, em Curitiba. "É muito ruim quando o candidato mostra que foi pego de surpresa, demonstra nervosismo, tensão. Há candidatos em que isso é visível - a pessoa começa a transpirar, ou trava", conta.
De acordo com Danielle Marin, consultora executiva da consultoria de recursos humanos De Bernt, este tipo de situação é frequente até mesmo em posições de especialistas, coordenadores e supervisores. "Há uma tendência de se tratar processos seletivos de maneira muito informal", alerta. "Às vezes, a pessoa acha que só a experiência e o currículo falam por ela. Mas não é assim."
Pesquise
Um erro elementar é deixar de pesquisar informações básicas sobre a empresa, que às vezes podem ser respondidas com uma busca rápida na internet. Deixar para perguntá-las na entrevista denuncia que o profissional não fez o dever de casa.
Thiago Gaudencio, gerente da Michael Page para o mercado do Paraná, vai além. Ele defende que o profissional chegue à entrevista com o máximo de informações que puder encontrar sobre a organização, a vaga e até sobre a pessoa que vai entrevistá-lo. Interlocutores mais "objetivos" pedem respostas mais sucintas, explica ele; já pessoas que gostam de conversar permitem falas mais detalhistas e aprofundadas. Cada entrevista é um caso à parte e a preparação deve ser direcionada. "Não pode ter um discurso padrão", diz.
Para Danielle Marin, profissionais com maior facilidade de comunicação podem buscar se preparar por conta própria. "Há muita coisa na internet que ajuda - entrevistas, workshops, simulações de entrevistas, exemplos", diz a consultora. "Se a pessoa tiver realmente interesse, vai conseguir."
A atitude pode ser útil até mesmo para gerar mais tranquilidade e segurança para os candidatos, além de ajudá-los a entender que tipo de pergunta pode aparecer nas entrevistas, lembra Margarete Torres. Algumas incluirão questões específicas da função e do mercado do cargo pretendido, por exemplo. "O profissional deve ter grande domínio sobre o que faz e o que pode levar para a empresa", diz.
Uma orientação geral é treinar e rever o currículo para ir com as informações na ponta da língua. "Sugerimos que o profissional faça uma revisão e até escreva suas realizações, seus maiores projetos e os resultados efetivos que trouxe para as companhias em que trabalhou", diz Danielle.
Já os profissionais com menos facilidade de se comunicar ou que já estão há muito tempo fora do mercado, devem considerar o serviço de uma consultoria para conseguir resultados mais rápidos, orienta a consultora. "O autoconhecimento é a chave. É assim que o profissional vai saber quais são suas fortalezas e deficiências", explica.
Mas não adianta tentar enganar o entrevistador: discursos ensaiados ou "pasteurizados" são percebidos no ato, alerta Margarete. "O entrevistador é inteligente o suficiente para perceber quando a pessoa vem com respostas preestabelecidas, que não representam quem ela é", diz.


