Quase 80% dos executivos apostam que o período de 2011 a 2015 será melhor para suas empresas do que os últimos cinco anos. Eles atribuem esse otimismo ao crescimento e amadurecimento da economia nacional, além da realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Brasil. Apesar das boas expectativas com relação ao crescimento das empresas, esses mesmos executivos mostram uma grande preocupação com a falta de mão de obra em vários setores, especialmente o de gestores.
O estudo''Sonhos e Pesadelos dos Líderes Empresariais'', realizado recentemente pela HSM e a Empreenda, mostra ainda que 71% dos executivos entrevistados pensam que não têm líderes suficientes para sustentar suas estratégias de crescimento nos próximos anos. ''A pesquisa ilustra um apagão de liderança nas empresas, que continuam formando líderes para uma realidade que já não existe mais. Precisamos formar líderes para o futuro e não olhando pelo espelho retrovisor'', diz César Souza, CEO da Empreenda.
Em Londrina, o Grupo Garcia que abrange as empresas Princesa do Ivaí, Viação Ouro Branco e Viação Garcia, que agrega 2.500 colaboradores, conhece de perto essa realidade. Para minimizar o problema a empresa investe no desenvolvimento dessas pessoas com treinamentos e cria oportunidades para que os já contratados, que tenham perfil em potencial, cheguem a liderança.''Quando surge uma vaga para um cargo de gestão, antes de divulgá-la optamos por desenvolver pessoas que tenham capacidade para liderar'', explica Josiane Carniato Cerra, gerente de Recursos Humanos da Viação Garcia.
A seleção dos futuros gestores, esclarece ela, é realizada por avaliação de desempenho. A equipe de recursos humanos em conjunto com a diretoria da área que precisa contratar observa o dia a dia de trabalho do futuro gestor. Características como o bom relacionamento com a equipe e com os clientes, disponibilidade, comprometimento, capacidade de reter e de repassar conhecimento e competências emocionais como autoconhecimento e autocontrole, são algumas das qualidades notadas.
'' Entendemos que além das habilidades técnicas e do bom profissionalismo um líder precisa ter visão sobre a gestão sistêmica da empresa, bom relacionamento interpessoal com a equipe e com os outros gestores. Essas características são essenciais para motivar desenvolver e motivar a equipe, a qual passará a responder'', complementa Josiane.
Eliane Dahmer, 26 anos, formada em Administração de Empresas carrega consigo todos esses predicados. Em seis anos ela obteve duas promoções. A última é recente, há menos de um mês ela passou de encarregada de vendas para supervisora geral das lojas do Grupo Garcia para o Terminal Rodoviário de Londrina tendo como responsabilidade liderar um grupo de 40 pessoas.
Em seu primeiro ano no Grupo Garcia, Eliane trabalhava como vendedora de passagens e não se contentou em ser apenas vendedora. '' Queria mais e enquanto estava nesse cargo buscava saber o que o cliente precisava e desejava. Pesquisava sobre as linhas que a empresa fazia e procurei aprender sobre assuntos que eu nunca tinha ouvido falar e, claro, mantinha um bom relacionamento com os colegas'', conta. Quando o reconhecimento chegou ela ficou surpresa.''Na época, eu era a mais nova na agência, tinha 21 anos e precisei ter muito jogo de cintura para lidar com os funcionários mais velhos que ficariam em posição inferior a mim'', explica.
Ter o pé no chão, discernir o certo do errado e agir com equilíbrio e flexibilidade lhe renderam o cargo atual. Em seu dia a dia, Eliane lida com questões diversas e inusitadas, além de resolver conflitos externos e internos. Em sua opinião, o líder tem que resolver essas questões e agregar valor à empresa, transmitindo credibilidade tanto para a equipe quanto para os clientes.''Equipe motivada e clientes satisfeitos alavancam as vendas e fazem a empresa ser cada dia melhor''.

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