A expansão dos negócios, como a inserção das empresas brasileiras nos mercados externos, o aumento de empresas com ações negociadas nas bolsas e a atualização de sistemas financeiros têm aberto perspectivas interessantes para os profissionais de contabilidade. É o que revela uma pesquisa feita pela Robert Half com 2.528 executivos, em 19 países.
O Brasil é o terceiro da lista, atrás apenas de China e Emirados Árabes. O levantamento constatou que quase metade das empresas brasileiras deve aumentar suas equipes de finanças e contabilidade ainda no primeiro semestre deste ano, segundo a pesquisa. Com a ampliação das oportunidades de trabalho, as ciências contábeis passam por um momento favorável e ganham um novo status: nos últimos dois anos o setor de finanças e contabilidade apresentou as maiores valorizações salariais.
Londrina parece seguir de perto a tendência do mercado, pelo menos é o que apontam entidades e profissionais da área. A região é composta por 58 municípios filiados ao Conselho Regional de Contabilidade (CRC), que agrega 622 escritórios. Atualmente, entre contadores e técnicos em contabilidade a região conta com 2,4 mil profissionais. Na região, os salários variam de R$ 2 mil a R$ 5 mil.
A configuração atual do mercado para os contadores agrada o coordenador do curso de Ciências Contábeis do Centro Universitário Filadélfia (Unifil), Eduardo Nascimento da Costa. Segundo ele, as alterações promovidas pela lei 11.638 de dezembro de 2007 que iniciou um processo de alinhamento com as normas internacionais de contabilidade. ''Isso veio a exigir mais conhecimento dos contadores. Outro fator é que o fisco se modernizou com exigências eletrônicas o que ocasionou uma reciclagem dos contadores e o cerco fechou para as empresas que precisam dos profissionais para não terem problemas com a receita'', detalha.
O professor avalia ainda que o aquecimento e a expansão do mercado econômico nacional fez os empresários enxergarem no profissional de contabilidade alguém capaz de atuar não só na parte fiscal, mas também na parte gerencial devido à competitividade.
Isso facilitou a vida dos novos alunos que conseguem atualmente estágios com mais frequências devido a alta demanda dessa mão de obra. Costa, no entanto, defende que a quantidade de cursos superiores de contabilidade em Londrina, atende a demanda do mercado local. ''Hoje a projeção é positiva e os profissionais dão conta do mercado em Londrina, pode ser que haja um inchaço, mas a expectativa ainda é boa para os próximos anos'', analisa.
O professor acredita que a obrigatoriedade do teste de proficiência em contabilidade instituido pela lei Federal 12.249 de 2010 colabore para que os profissionais disponíveis no mercado sejam mais qualificados e acaba ocasionando um processo de seleção natural dos contadores.
Costa orienta ainda os alunos e interessados em se tornarem contadores a sempre se atualizarem principalmente quanto à legislação brasileira. ''As leis estão sempre se atualizando e contador precisa acompanhar esse processo. Não digo que seja necessário um curso de direito, mas que esteja sempre estudando. O domínio de línguas estrangeiras também é importante principalmente visando o trabalho em multinacionais'', aconselha.
O professor e coordenador de colegiado do curso de Ciências Contábeis da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Jair Gravena, vê com bons olhos o momento do mercado. ''O profissional de contabilista passou a ser uma exigência. A função era vista como a profissão do futuro e hoje vemos esse futuro mais próximo. É difícil encontrar um aluno que esteja sem estágio'', comenta.

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