Empreender seria uma das coisas que o brasileiro mais gosta de fazer? A resposta é sim. De acordo com a pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor), realizada anualmente há uma década no Brasil sob a coordenação do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP) e comparada com índices de empreendedorismo de diversos países no mundo, o brasileiro é um dos povos mais empreendedores.

O estudo realizado em 2009, divulgado este ano, avaliou o nível de empreendedorismo em 54 países e demonstra que o Brasil obteve o maior índice: 15,5% -a média nos dez anos do projeto GEM é de 13%. Isso mostra que 18,8 milhões de brasileiros estavam envolvidos com empresas em estágio inicial. E a maior parte deles tinha entre 18 e 34 anos.

De acordo com Simara Greco, coordenadora da pesquisa no país, a maioria dos novos negócios foram abertos em busca de uma oportunidade e não por uma necessidade.

E isso, segundo o consultor do Sebrae André Basso, é um ponto muito favorável para o sucesso do empreendimento. ''Se uma pessoa empreende por necessidade e não por oportunidade, ela acaba empreendendo na pressão. Com isso, não realiza uma pesquisa detalhada sobre o produto e o aspecto mercadológico como um todo, portanto não pode planejar bem e quanto melhor planejado um negócio, maiores são as chances que ele tem de sobreviver'', argumenta.

Se o Brasil é feito de pessoas empreeendedoras quais são os passos errados que prejudicam o empreendimento? Para Basso, não existe uma fórmula mágica, mas sim processos básicos que ajudam na compreensão do que será empreendido. Esses passos, segundo ele, se seguidos, podem reduzir as chances de fracasso. ''Sempre que um novo empreendimento é pensado, necessita-se levantar todas as informações sobre o produto. Quanto mais informação, a tendência a médio e a longo prazo é de um risco menor de fracasso. Todo processo novo se baseia no nível de informação que se tem e no nível de planejamento que é feito''.

E para ele as primeiras informações a serem obtidas são as mercadológicas. ''É preciso compreender tudo sobre o seu produto, desde a legislação até os trâmites mercadológicos, que influem até mesmo no comportamento do consumidor e seus reflexos, que são aspectos chave no sucesso do empreendimento'', revela.

Apesar disso, os brasileiros ainda não tratam com relevância esse aspecto. ''As pessoas não levam os detalhes mercadológicos tão a sério e se preocupam muito mais com o fator produção e esse é um viés que limita a capacidade de competição''diz.

André percebe que quando as necessidades do cliente são entendidas, há a possibilidade de se desenhar um produto que se adeque a elas. ''Para tanto é preciso descobrir quais são. Isso pode ser feito através de um diagnóstico que analisa a característica pessoal do cliente. O que ele gosta e o que não gosta, quais são as habilidades inatas e quais precisam se desenvolver. Feita essa reflexão tenho as respostas para o ramo que devo entrar. Com isso as vendas aumentam e o retorno é mais rápido. Já quando um produto é criado sem esse reconhecimento, todo o processo terá de ser explicado ao cliente e isso significa mais esforço, demanda maior de tempo e demora no retorno''.

Feitos esses movimentos e depois um plano de negócio traçado passo a passo no papel, as ideias são organizadas e é possível visualizar a vulnerabilidade do negócio. ''O risco de fracasso pode ser amenizado em 70% nos dois primeiros anos de atividade'', afirma.

Um outro fator inusitado identificado na pesquisa é que as mulheres empreendem mais que os homens no Brasil. Dos 18,8 milhões de pessoas à frente de empreendimentos em estágio inicial ou com menos de 42 meses de existência no Brasil, 53% são mulheres e 47% homens. ''As mulheres buscam mais especialização através da escolaridade e quando ela abre um negócio observa com muito mais atenção. E essas oportunidades geralmente se relacionam aos setores de beleza e estética. Serviços que podem ser realizados em concomitância com as atividades domésticas e familiares'', considera Simara.

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