Emoção em excesso prejudica?
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Diogo Cavazotti<br>Equipe da FOLHA 
Curitiba - A rotina do engenheiro Thiago Bigaiski Rothen, 25 anos, já foi bem puxada. Não era raro ele ter de passar até 14 horas no trabalho para terminar os projetos exigidos pela empresa. As frequentes viagens para São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul também alteravam o dia a dia do profissional.
Esse excesso de trabalho afetou o humor e mudou os relacionamentos interpessoais de Rothen. Discussões com familiares e falta de contato com os amigos se tornaram cada vez mais comum. Ele aguentou essa rotina durante um ano, quando começou a procurar por outro trabalho.
Hoje, o jovem atua em uma outra empresa e diz que a vida mudou. ''Eu chegava a virar a noite trabalhando. Agora tenho um horário fixo, consigo ir à academia, e meu estresse e nervosismo acabaram'', explica.
Com a mudança de emprego, Rothen consegue se concentrar melhor e sente que o rendimento aumentou. O relacionamento com amigos e familiares também melhorou e ele percebe que atualmente faz o que gosta, com tempo disponível para também aproveitar a vida.
Segundo profissionais de recursos humanos, o perfil do jovem não é o do ''workaholic'', que vive em função do trabalho, mas sim do profissional que curte o que faz e consegue dosar o horário na empresa com o tempo livre. Se Rothen ainda insistisse no antigo trabalho, poderia interromper uma promissora carreira de sucesso, além de trazer danos à saúde.
Mas nem sempre é fácil ou possível achar outro trabalho para melhorar a qualidade de vida. Nessa hora, conhecer e controlar o emocional são itens fundamentais para ter uma carreira profissional bem sucedida e relacionamentos interpessoais equilibrados.
Segundo a pedagoga Rosana Spinelli, os indivíduos emocionalmente inteligentes são os que usam a razão para compreender e lidar com as emoções. ''Os que não conseguem exercer controle sobre a própria vida emocional travam batalhas internas, não se concentram no trabalho e perdem a capacidade de pensar com clareza'', afirma.
Comunicação
Demitir ou pedir demissão por conta de problemas com o estresse não é um caso tão frequente dentro das empresas. É o que explica a psicóloga Denise dos Santos Campos, consultora da DHO Desenvolvimento Humano e Organizacional. Mas quando existe um caso assim, a comunicação é a melhor forma de resolver a situação.
''Para a empresa, o ideal é chamar o colaborador e ver o que está acontecendo. Ele pode estar em um momento isolado de estresse ou apresenta um perfil explosivo. Antes de demitir, o melhor é tentar resolver a situação'', opina. Isso porque demitir e fazer um novo processo de contratação gera alto custo.
O funcionário que enfrenta problemas com o sistema nervoso e não consegue desenvolver as obrigações no trabalho pode ainda passar por avaliação psicológica. O atendimento irá definir o perfil da pessoa e, assim, recolocá-la dentro da organização.
''Existem casos de pessoas que assumiram cargos de liderança, mas não tinham esse perfil. Em outros, o colaborador estava desmotivado pois atuava em uma área que exigia pouco e ele estava disposto a oferecer muito mais. Uma recolocação dentro da organização resolveria o problema'', explica Denise.
Em situações mais sérias, em que o funcionário não consegue se incluir na cultura da empresa, o jeito é sair da organização e buscar algo que acredite.


