Ego bem dosado é um aliado
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de setembro de 2009
Mie Francine Chiba<br>Especial para a FOLHA 
Livro recém-lançado no Brasil mostra os resultados de uma pesquisa de dois consultores norte-americanos sobre o ego nas organizações. O 'ego' que costuma circular nas conversas dentro das empresas é aquele que mencionamos, por exemplo, quando o colega de trabalho fecha um bom negócio e passa a agir como se fosse o maioral.
No primeiro capítulo, os autores admitem que era essa mesma abordagem que estavam utilizando no começo da pesquisa. Mas o que eles foram descobrindo mais tarde é que o ego também pode ser uma ferramenta para alcançar objetivos e metas. Basta saber dosar corretamente o ego e a humildade.
''O ego é o 'eu' da pessoa, é como ela se vê, suas potencialidades'', define a psicóloga e professora universitária Tânia Belizario Mastelari. Dentro do ambiente de trabalho, o ego é o que faz o indivíduo agente dentro de um processo da organização.
''Todas as pessoas que trabalham dentro de uma organização foram contratadas por terem seus talentos, suas potencialidades. Todos nós, de alguma forma, temos alguma característica importante que vem agregar à empresa'', completa.
O problema do ego está quando a pessoa não consegue se enxergar como um ser humano sujeito a falhas e não percebe que, além dela, existe o outro. ''Muitas vezes, em função de não admitir que não sabe resolver um problema, ela não vai pedir ajuda ou aceitar a opinião de um colega por achar que isso a faz menos competente'', expõe o pesquisador Fabrício Aulo Ogliari.
Autoconhecimento
''O departamento tem como colaboradores pessoas que adquiriram qualificação máxima em suas áreas de conhecimento. São mestres e doutores. Alguns já fizeram até doutorado no exterior. Então, são pessoas que têm um ego elevado'', observa César Eduardo Bellinati, gerente de uma empresa londrinense.
Para a gestora da empresa, Maria Ester Falaschi, para utilizar o ego a favor, é fundamental conhecer suas próprias competências e reconhecer as oportunidades de melhoria. ''E conhecer principalmente aquelas competências ligadas à carreira que escolheu e que não tem ainda desenvolvidas. A partir disso, o indivíduo pode trilhar seu caminho e a empresa também pode fazer um programa de trabalho mais adequado'', ressalta.
Caso contrário, o colaborador tenderá a omitir erros no trabalho ou responsabilizar outras pessoas por isso. ''Se passo a vida responsabilizando as outras pessoas pelos meus fracassos, vou continuar fracassando sempre, porque não vou focar o problema e procurar resolvê-lo'', alerta a gestora.


