"Vivemos um paradoxo: as empresas têm recursos para expansão, porém não encontram mão de obra preparada", avalia o professor e consultor empresarial da Litz Estratégia e Marketing, Mario Nei Pacagnan. Em recente palestra ministrada em Londrina com o tema "Educação Corporativa como Ferramenta de Gestão Estratégica", o especialista pondera que a mão de obra nacional necessita de aperfeiçoamento e as empresas devem criar meios de tornar essa capacitação possível. "A educação corporativa é um conceito que procura vincular dois aspectos, educar e aprender dentro da empresa", pontua.
Segundo ele, hoje, as empresas enfrentam dificuldade para encontrar e reter talentos. Para solucionar esse problema que se tornou crônico, o professor aponta a educação corporativa como recurso fundamental para a formação de uma equipe de trabalho eficiente. "Programas de apoio ao desenvolvimento dos colaboradores com incentivos à educação continuada, atividades internas de coaching, engajamento, mentoring, sucessão e vivência compartilhada são algumas das possibilidades. Hoje, com o desenvolvimento intenso da tecnologia digital, as plataformas de compartilhamento e do ensino a distância, que era privilégio de grandes empresas, já é realidade para as pequenas empresas. Tudo é possível graças à pulverização das tecnologias via internet", lembra Pacagnan.

Além do treinamento


O especialista orienta que o primeiro passo é deixar claro ao colaborador quais são os objetivos e os princípios da empresa. Além dos treinamentos, é recomendado também uma política de cargos e salários e plano de carreira. "A educação corporativa vai além da política de desenvolvimento e treinamento. Deve-se criar um ambiente propício para o colaborador crescer junto com a empresa", opina.
Um dos métodos da educação corporativa é a indicação de uma espécie de mentor – profissional com mais tempo de casa e já adaptado a política empresarial – que passe a ocupar a função de orientador de recém-contratados. "Grandes empresas costumam utilizar esses mentores de forma mais organizada, mas esse tipo de trabalho pode ser desenvolvido também em pequenas empresas, quando o empreendedor acaba ocupando o papel de mentor".

Benefícios

A Unimed Londrina é uma empresa que aplica a política de educação corporativa, desde 2006. Inicialmente, o projeto tinha como objetivo dar suporte e desenvolvimento aos médicos cooperados, mas com o tempo foi levado a todos os 467 funcionários e ainda para colaboradores de serviços que afetam de forma direta ou indireta a empresa, como hospitais e outros setores.
A analista de educação corporativa, Caroline Zucco, explica que diferente do treinamento e desenvolvimento, o conceito da educação corporativa tem por objetivo antecipar os rumos da empresa. "As políticas de treinamento e desenvolvimento enxergam o problema e procuram agir para a solução. A educação corporativa se alinha ao máximo com os objetivos da empresa para criar soluções que antecipem as tendências", frisa.
Dentro do programa, cada função exige do colaborador uma série de habilidades e um perfil que a empresa entende como fundamental para desenvolver o papel. Com isso, o funcionário é convidado a participar de atividades de treinamento e, conforme aprimora o seu conhecimento, alcança novos cargos.
Ainda de acordo com ela, a educação corporativa busca mesclar as maneiras de ensinar o trabalhador. Entre os processos, o colaborador terá acompanhamento de um mentor que vai passar as informações pertinentes a função. Ele também fará cursos, visando o seu desenvolvimento, além de passar pela integração e até ensino à distância.
Para a analista, investir no desenvolvimento dos colaboradores é benéfico para a empresa, pois aumenta o comprometimento dos funcionários e possibilita, no futuro, a busca de pessoas dentro da própria instituição para ocupar cargos de liderança, evitando altos custos com a busca por profissionais qualificados no mercado de trabalho. Caroline acrescenta que, por ter os padrões de desenvolvimento bem definidos, com o tempo, o próprio trabalhador sente vontade de aprimorar suas habilidades.

Leia em conteúdo exclusivo para assinantes da FOLHA:

- Profissionais aprovam investimento

mockup