A possibilidade de estudar com horários flexíveis e fora de sala de aula, bastando apenas o acesso à internet, tem sido uma realidade para muitos estudantes. A modalidade de Ensino a Distância (EAD) atrai cada vez mais alunos que buscam qualificação.
Entre 2001 e 2011, o Brasil passou de pouco mais de 5 mil alunos matriculados nesses cursos para 930 mil entre graduandos e pós-graduandos. O crescimento é tão expressivo, que a modalidade a distância ganhou data no calendário. No próximo dia 27, comemora-se o ''Dia Nacional de EAD''
Em Londrina, de acordo com informações do Ministério da Educação (MEC), são ofertados aproximadamente 100 cursos. A Universidade Norte do Paraná (Unopar), uma das instituições referências no Brasil, dispõe do sistema.
De acordo com a pró-reitora de ensino a distância da Unopar, Elisa Maria de Assis, a universidade teve seu primeiro curso a distância em 2003. Nesse período o número de alunos saltou de 900 para 190 mil. ''O número de cursos também aumentou. Hoje são 19 cursos (graduação e técnicos) e para o ano que vem estão previstos mais seis'', diz.
Por determinação do MEC, os cursos a distância necessitam de ao menos uma aula presencial por semana, em um polo de apoio onde o estudante tenha o acompanhamento de professores. Embora isso diminua a quantidade de alunos atendidos, Elisa aponta que reduz os riscos de evasão.
Ela comprova esta tese com números. Os cursos totalmente pela web apresentam um índice de desistência variando entre 40% e 60% enquanto os que dispõem de, ao menos uma aula semanal, apontam em torno de 12% a 14% de desistentes.
''Esse modelo bimodal é o melhor. Estudos mostram que o perfil da população latina é de um contato e interação. Esses núcleos presenciais possibilitam que os alunos criem vínculos sociais e grupos de estudos'', exemplifica.
Aliás, apesar da flexibilidade de tempo que o EAD fornece, um dos grandes desafios de quem opta pela modalidade é não cair ''na velha história do depois eu faço'', alerta a professora. Ela aponta ainda que o aluno precisa ser organizado, ter proatividade e autonomia. ''Essas são características que têm sido exigidas pelo mercado de trabalho e que no ensino a distância são necessárias'', alega.
A pró-reitora não tem dúvida de que a modalidade veio para ficar, mas ainda tem muito a se desenvolver no País. Ela exemplifica com os trabalhos de psicologia que já são desenvolvidos na França, onde o aluno tem aulas virtuais e depois se desloca até um núcleo presencial para desenvolver as atividades práticas e atendimentos clínicos. ''A pergunta não é o que se pode fazer com o ensino a distância, mas o que não se pode. Agora tudo tem que ser pensado para ser feito com qualidade'', diz.
O Centro Universitário Filadélfia (Unifil) também oferece cursos técnicos, entre eles o de Transações Imobiliárias via web, com alguns encontros presenciais sendo desenvolvido em 10 meses. Além disso, 20% das disciplinas dos cursos de graduação se utilizam dessa modalidade. ''Essa parcela das disciplinas já utilizamos desde 2006. Este ano, iniciamos o curso técnico e a expectativa é que em 2013 comecemos cursos de graduação totalmente a distância'', explica, Leandro Henrique Magalhães, coordenador geral da Unifil Virtual.
Ele lembra que a modalidade já existe há muito tempo -com o uso de cartas e apostilas - e, que com a evolução das novas tecnologias, vem passando por transformações. Assim como Elisa, o coordenador acredita que esse processo deve ganhar cada vez mais espaço nas universidades. ''Acredito numa convivência em harmonia entre o presencial e o virtual. O ensino a distância veio para ficar'', declara.
Quanto aos custos, os dois também concordam que pode ser compensador experimentar a modalidade. Além de mensalidade, em geral mais baratas, o aluno tem um gasto reduzido, por exemplo, com relação ao transporte.

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