Muito mais que vender é preciso gerar valor para o produto ou conteúdo. Essa é a principal dica que especialistas têm para compartilhar quando o assunto é empreendedorismo digital.
Na visão deles, esse é o melhor caminho para se conquistar a confiança dos consumidores, em especial daqueles que têm menos experiência na rede, como as classes C, D e E. Eles precisam acreditar que as compras são seguras.
Sendo assim, além do processo de compra diferente das lojas físicas, a gestão no comércio virtual também requer uma nova mentalidade.
Segundo o engenheiro de computação Alan Pakes, fundador do Congresso Nacional de Empreendedorismo Digital (Conaed), para ter resultados é importante fazer algo voltado às pessoas que se tem interesse. "A ideia é que elas passem a ter confiança. Depois é que se faz uma oferta de venda. É o famoso plantar para colher depois", diz.
Enquanto o marketing tradicional tem como frente principal o ato de vender, o marketing no empreendedorismo digital segue três passos. Segundo o especialista, em primeiro lugar deve-se atrair as pessoas até o negócio.
"Começar a produzir conteúdo para atrair os interessados no meu produto. Depois, é preciso começar a se relacionar com essas pessoas. É uma forma de conquistar a confiança", diz. E o último e terceiro passo é a venda de fato. "Esses passos todos de atração, relacionamento e até a própria venda eu consigo automatizar com as ferramentas que tenho na internet", completa.
Tendo essa consciência e buscando uma consultoria profissional e especializada, é hora de colocar a ideia em prática. E o momento não poderia ser mais oportuno, pois o número de e-consumidores aumenta ano a ano.
Em 2009, dados da E-bit, empresa especializada em informações do comércio eletrônico, mostraram que no Brasil eram 17,6 milhões de clientes. Já no ano passado, esse número chegou a 63 milhões. Ou seja, um aumento de 270%.
Para este ano, conforme publicação do Sebrae Brasil, a E-bit prevê um crescimento de 20% com um faturamento estimado em R$ 43 bilhões. "Quem tem interesse nisso deve se mexer e não perder a oportunidade. Afinal, quando a grande massa chegar, quem já estiver lá, terá muita vantagem", afirma Pakes.
Para o consultor do Sebrae em Londrina, Rubens Fernandes Negrão, esse crescimento acontece em virtude da confiança do consumidor, que também estão comprando produtos que antes não adquiriam pela internet. Segundo ele, antes a maior fatia de produtos do e-commerce eram os eletrônicos e eletrodomésticos.
"A confecção há cinco anos representava 2% das vendas e os últimos dados mostram que esse segmento subiu para 18%", afirma. Em seguida, surgem os cosméticos, perfumaria e cuidados pessoais ou de saúde, eletrodomésticos, livros e revistas e informática.
Alan Pakes ressalta ainda que alguns setores devem se destacar neste ano, como as áreas de desenvolvimento pessoal e saúde, pois, segundo ele, existe uma outra modalidade do marketing digital que não é necessariamente um e-commerce.
"É o chamado infoproduto, que, de uma forma geral, são cursos. A gente vende conhecimento que causa real transformação nas pessoas. Por exemplo, curso de como emagrecer, maquiagem ou de investimentos. A grande vantagem é que uma vez que você cria esse ‘produto’, você consegue replicar e vender milhares de vezes sem custo de mão de obra e matéria-prima, e isso é uma novidade que cada vez mais as pessoas estão atentas", completa.

CUSTO-BENEFÍCIO
Os especialistas também apontam os custos-benefícios do e-commerce. Negrão ressalta a abrangência da internet. "Uma loja física tem uma abrangência local, principalmente no varejo. Já a internet é global. Anos atrás, falava-se que o comércio de rua ia acabar e todas as lojas estariam na internet, mas dados recentes mostram um movimento contrário, ou seja, lojas virtuais indo para as ruas. Então, são modelos de negócios que se complementam", diz.
Além disso, as ferramentas são muitas vezes mais baratas ou até gratuitas em relação à estrutura física tradicional. Especialista em marketing digital, Pakes explica que despesas fixas como aluguel e até funcionários podem ser reduzidas ou nulas neste tipo de negócio.

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