Dono do negócio do outro
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Kalinka Amorim <br> <br> Reportagem Local 
Iniciativa, autonomia e espírito empreendedor são características propícias para quem quer entrar para o mundo do franchising. O setor, de acordo com dados da Associação Brasileira de Franchising, em 2009 cresceu 14,7% comparado ao ano anterior, faturou R$ 63 bilhões e é responsável por mais de 700 mil empregos diretos no País.
De acordo com a consultora do Sebrae Simone Milan Shavarski, o ramo é uma ótima pedida para quem quer ser seu próprio patrão. Todavia, com uma ressalva: para isso a pessoa precisa ter um perfil adequado para se tornar um franqueado. ''Ter estilo de liderança, gostar de trabalhar em equipe, aceitar bem as críticas, estar disposto a seguir regras e padrões estabelecidos, estar disposto a trabalhar mais do que a jornada normal de trabalho e aceitar prestar contas do que faz são alguns dos itens iniciais'', diz.
Para ela, pessoas que queiram ter autonomia total de seu empreendimento não podem ter uma franquia e nem mesmo franquear seu negócio. ''A partir do momento em que ambas situações acontecem há uma perda do controle total e, em alguns casos, onde as pessoas são centralizadoras, isso não funciona'', argumenta.
Dentre as várias opções de um empreendedor em abrir uma empresa própria e iniciar um negócio a partir de um outro que já deu certo, as franquias são a opção mais indicada pela consultora. ''O sistema de franquias oferece, entre outras vantagens, o know-how, que engloba o acesso a fornecedores já conhecidos, carteira de clientes, informações sobre o perfil dos consumidores, pesquisa de mercado já delineada, capacitação para o segmento escolhido. Todos esses fatores não eliminam o risco da falência, mas o diminuem significativamente. Afinal, a forma de trabalho já foi testada e com isso muitos erros podem ser evitados'', explica.
Outra questão importante a ser analisada, nas palavras da especialista, é a escolha do segmento. ''É preciso atentar para o que se gosta de fazer, os horários que o negócio funcionará. Não basta pensar apenas nos lucros. A regra do fazer o que se gosta também se aplica ao franchising. O franqueado terá de respirar o segmento, pesquisar, observar e até mesmo trabalhar muito mais do que quando era um empregado'', pondera.
Atentar para o capital a ser investido também é outro ponto chave. Simone explica que, diferente de uma empresa própria que se começa com pouco capital e vai se investindo de acordo com as possibilidades, a franquia requer investimento imediato. ''Dependendo da marca e do segmento escolhido, o valor a ser desembolsado pode variar de R$ 7.500 a 1,3 milhão, fora o investimento com locação, adequação do ponto e equipamentos para a abertura da empresa, além dos royalties, que podem ser fixos ou variáveis, e as taxas de propaganda que são cobradas durante todo o contrato'', alerta.
Simone sugere que além do capital imediato se tenha um capital de giro para abastecer o empreendimento até que este comece a dar seus frutos. Analisar a possibilidade de ganho e o total das retiradas do pró-labore também é ponto fundamental apontado pela especialista para se manter no competitivo mercado. ''Muitas vezes o empresário está acostumado a ganhar bem mais do que a empresa pode oferecer de pró-labore, por isso essa é uma análise importantissíma'', considera.
Observar o plano de negócios que as franquias oferecem também é uma dica dada pela especialista. '' É ótimo que o franqueado tenha uma noção do que vem pela frente, mas o ideal é que cada candidato a franqueado faça seu próprio plano de negócios. Ele é a ferramenta que possibilita a antecipação de problemas, situações e permite que o negócio prospere com menos chances de fracasso'', recomenda.
Se você pretende debutar no mercado de franchising, programe-se. Não é por ser uma franquia e já vir prospectado que em um piscar de olhos tudo estará pronto. ''O tempo entre escolha da franquia e a inauguração do negócio pode durar de seis meses a um ano'', arremata.


