Dono da própria carreira
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de agosto de 2009
Adriana De Cunto<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Tomar as rédeas da própria carreira. Parece uma coisa óbvia, mas essa não é uma atitude comum entre a maioria dos trabalhadores brasileiros, que acaba relegando ao destino ou ao gerente de recursos humanos (RH) da empresa onde trabalha o seu futuro profissional.
Foi justamente essa realidade que a crise econômica internacional pela qual passamos - ou estaríamos saindo dela, como afirmam alguns analistas - trouxe à tona. Uma grande demanda de profissionais qualificados foram desligados das empresas em que atuavam, surpreendidos sem um Norte.
''A crise tem aspectos negativos e positivos'', afirma a gerente da unidade Paraná da De Bernt Entschev, Rosane Martins. Formada em psicologia, especializada em RH, ela acrescenta que a partir da crise muita gente começou a repensar a atuação no mercado de trabalho. ''O profissional entra na empresa e deixa para o RH a gestão de sua carreira. Isso não é bom. Ele tem que ser o gestor da própria carreira'', enfatiza.
É justamente para ajudar quem perdeu o emprego e deseja se recolocar no mercado ou para aqueles que buscam conduzir a carreira de forma mais calculada que algumas empresas criaram programas de aconselhamento.
Rosane conta que antes esse tipo de serviço era oferecido pela De Bernt de maneira informal, mas a partir deste ano criou-se um produto específico de aconselhamento para públicos bem diversos: jovens que acabaram de sair da faculdade e executivos sênior.
Um projeto como esse custa R$ 1.280,00 e levanta informações de qualificação e comportamentais do cliente, identificam os aspectos negativos que precisam ser resolvidos e orienta quais as melhores atitudes para que o profissional torne-se mais atraente ao mercado de trabalho.
Ainda sugere cursos e locais para realizá-los, ajuda na elaboração do currículo e oferece uma pesquisa salarial para que o cliente saiba como anda a remuneração de outros profissionais com o mesmo nível de qualificação.
Projeto próprio
Arcar com um custo de mil reais pelo projeto de aconselhamento de carreira não está ao alcance de todos. Para quem pretende ser o seu ''próprio conselheiro'', Rosane sugere começar por fazer uma auto-percepção, procurando identificar aspectos comportamentais e técnicos que precisam ser melhorados.
''É preciso perguntar-se: 'O que preciso fazer para desenvolver meu objetivo?' e ir buscar esse objetivo'', sugere a psicóloga. Nesse auto-conhecimento pode-se perceber a necessidade de melhorar o inglês, aperfeiçoar os conhecimentos de informática ou buscar um curso que melhore o relacionamento com os colegas.
O engenheiro civil Ernani Techmann, 42 anos, buscou o serviço de aconselhamento de carreira quando decidiu buscar uma recolocação no mercado, após deixar a administração da empresa da qual tem participação para outros sócios.
Ele vê aspectos bem positivos em contratar uma consultoria que proporcione o aconselhamento de carreira, como a elaboração de um currículo muito mais atraente e as sugestões de como melhorar profissionalmente.
''Eles são profissionais do ramo e a crítica deles foi muito útil'', admite. E justifica: ''Às vezes a gente pede uma opinião dos amigos e eles têm receio em criticar''.
Outra vantagem em contar com uma consultoria como essa, na opinião de Techmann, é saber esperar por uma boa oportunidade. ''Normalmente, em uma situação de desemprego, a pessoa fica aflita e acaba aceitando coisas que não são interessantes. Eles te ajudam a ter uma noção de mercado, de valor, te abrem os olhos para esperar por uma melhor oferta'', comenta Techmann, que ainda aguarda por uma boa colocação. Enquanto isso, administra obras em Curitiba como engenheiro autônomo.


