Diploma estrangeiro abre portas no mercado
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domingo, 06 de abril de 2014
Diego Prazeres<br> Reportagem Local 
A bagagem cultural, e não apenas a qualificação acadêmica, tem aberto cada vez mais as portas do mercado de trabalho para os profissionais que obtêm a graduação em universidades de fora do País. Para o setor empresarial, mais vale um colaborador hábil em lidar com as constantes mudanças de humor do mundo corporativo do que propriamente aquele com perfil mais técnico. E facilidade de adaptação é o que não falta a pessoas que viveram a experiência de morar longe do Brasil.
"Muitas vezes as empresas nem conhecem a faculdade estrangeira em que o profissional se formou, mas sabem que ele teve um crescimento cultural muito grande estudando fora do País e que o que ele mais teve que fazer nesse período foi se adaptar a uma série de adversidades inerentes a quem mora no exterior", afirma Pedro Lunardelli, consultor educacional em uma das várias empresas brasileiras que se especializaram em assessorar estudantes em busca do diploma estrangeiro. "O mercado não está buscando só o conhecimento teórico, mas avalia a habilidade comportamental do profissional", pontua.
A empresa já assessorou mais de 1,6 mil graduandos em 13 anos de atividade. Segundo o consultor, quando esses recém-formados retornam ao Brasil para entrar no mercado de trabalho tendem a levar vantagem em relação aos candidatos graduados aqui. "O diploma estrangeiro é um grande diferencial, porque o candidato formado numa boa universidade brasileira está concorrendo com outros tantos formados em outras tantas boas faculdades daqui. Além de estar vivenciando a mesma cultura, muitos saem do Ensino Médio e nem mudam de cidade. E o aluno que volta de uma faculdade do exterior já tem no diploma um diferencial. Aí tem a questão do domínio da língua estrangeira, da experiência de vida. Não é que ele será contratado de cara, mas certamente será selecionado para uma entrevista", salienta.
A coordenadora de gestão de pessoas do Instituto Brasileiro de Coaching (IBC), Laryssa Andrea Camargo de Souza, afirma que o domínio do inglês e o conhecimento de culturas diferentes são diferenciais bastante valorizados pelas empresas recrutadoras, principalmente para cargos considerados estratégicos. Daí as boas perspectivas para os profissionais com perfil associado ao espírito empreendedor, aqueles que se arriscam em busca de desafios que o tirem da zona de conforto. "A vivência no exterior por si só dá uma melhorada no currículo. Tem a questão de ser um profissional mais independente porque morou fora, está aberto a novos desafios e tem conhecimento maior de culturas diferentes", avalia. "Especialmente porque a mudança de cultura nas empresas de grande e até médio porte acontece muito rápido. Quanto maior a flexibilidade e capacidade de adaptação para lidar com essas mudanças, melhor", observa a gestora.
Laryssa Camargo ressalva, porém, que mesmo no exterior é preciso que o estudante saiba escolher bem a faculdade que irá exercer. "Geralmente os graduandos buscam nas faculdades estrangeiras o incentivo à tomada de decisões, o desenvolvimento de uma autonomia maior e o conhecimento específico voltado a sua área de atuação, por isso a escolha deve ser muito bem feita. Há excelentes universidades, mas às vezes a faculdade não atende muito bem aquilo que o aluno quer. É preciso pesquisar bem, ver se o curso vai trazer retorno positivo para o profissional voltar com maior bagagem comportamental e técnica", orienta.


