Funcionários mais bem preparados geram melhores resultados. A lógica do mercado corporativo parece um tanto óbvia, mas nem sempre é seguida pelas empresas. O gerente de Capacitações e Cursos de Extensão da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), no Rio Grande do Sul, professor Rodrigo Dalcin, afirma que em toda e qualquer empresa o diferencial de entrega tem que estar nas pessoas e no que elas podem oferecer para o negócio. "Todo o resto são commodities, bens tangíveis, são fáceis de copiar do concorrente, porém, o conhecimento embarcado em uma instituição é o bem mais precioso que a empresa pode reter e cultivar", defende. Por essa razão, prossegue ele, os empresários inteligentes buscam investir na qualidade de atuação de seus colaboradores. "E isso é que pode fazer toda a diferença para qualquer negócio nos dias de hoje: pessoas mais bem preparadas", salienta.
Com a experiência de quem trabalhou em grandes multinacionais como a Philip Morris e a Kraft Foods, o executivo Paulo Florêncio da Silva garante que para uma empresa crescer "o diferencial continua sendo a pessoa". "Recurso financeiro hoje é fácil de conseguir, as empresas têm facilidade de contrair empréstimos e financiamentos muito mais do que há 15, 20 anos; tecnologia você compra; mas pessoas você tem que formar. E pra formar você leva anos", argumenta Florêncio, que há sete anos é diretor geral do Moinho Globo.
A indústria alimentícia, com sede em Sertanópolis (Região Metropolitana de Londrina), foi eleita no ano passado uma das 50 melhores empresas para se trabalhar na América Latina pelo instituto global especialista em ambiente de trabalho Great Place to Work (bom lugar para se trabalhar). Além de investir na formação de seus colaboradores e lhes proporcionar benefícios de praxe, como planos de saúde e previdenciário, a empresa paranaense construiu em Sertanópolis um conjunto residencial destinado aos empregados, que assumem apenas as parcelas do financiamento de sua casa.
É lá que o William Ribeiro da Cruz, ex-ensacador que virou auxiliar administrativo e tem uma pós-graduação bancada pela empresa, vai morar com a futura esposa. "Pela lógica da empresa, formando um bom funcionário, ele vai trabalhar aqui até o resto de sua vida", diz Cruz. Fidelidade que pode fazer a diferença, pontua Paulo Florêncio. "As pessoas aqui têm cinco, dez anos de casa. Comemoramos recentemente um funcionário com 25 anos de casa. No passado tinha-se aquela falsa imagem de que a pessoa tinha que ficar trocando de emprego a cada três, cinco anos, com o objetivo de que houvesse uma rotação de função. Isso caiu por terra. As próprias empresas fazem isso dentro da corporação", sustenta.(D.P.)

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