Descanso ou trabalho?
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de março de 2011
Kalinka Amorim <br> Reportagem Local <br> 
Romper com a rotina. Deixar os afazeres de lado e buscar novos horizontes para deixar a imaginação aflorar e ao mesmo tempo se descobrir não é algo tão comum no meio corporativo. A ideia para estudar, criar oportunidades de autocrescimento e refletir sobre os rumos futuros, tem nome e sobrenome: período sabático. Válida para praticamente todos os setores de atividade, essa experiência há muito se consolidou no exterior e começou a ganhar força, ainda que timidamente, nos últimos anos no Brasil. Profissionais que querem mudar de rumo ou inovar seus produtos e empresas para agradar a clientela têm tirado proveito dessa opção.
Não importa se a duração será de meses ou anos e o formato. Pode ser uma viagem turística, um curso no exterior, trabalho voluntário, reclusão em casa. O que importa é que o sabático surta seu efeito.
Antes de fazer um intercâmbio cultural para a Índia, em Madras (hoje atual Chennai), Tarciso Mauro Bonachella era funcionário do Instituto de Terras de São Paulo em 1995, onde atuava como Engenheiro Agrônomo, lidando com pequenos trabalhadores rurais. Ele era responsável por dois assentamentos de terra em Sumaré - SP, onde residiam 56 famílias e pensava estar satisfeito com a carreira estatal que tinha.
Ao se deparar com uma cultura e costumes totalmente diferentes dos nossos, ele começou a refletir e percebeu que o mundo profissional que vivia era muito pequeno. ''Enxerguei que o mundo era muito mais que o universo que eu vivia, o Brasil. Eu queria fazer parte de um contexto maior, ter contato com outros países, outras culturas'', conta. A viagem que duraria apenas 40 dias estendeu-se para sete meses. E o que era para ser uma experiência cultural tornou-se um período sabático.
Mesmo tendo acontecido ocasionalmente, o sabático causou o efeito esperado na vida de Bonachella: o autoconhecimento. E gerou um sentimento profundo que requeria mudanças profissionais significativas. ''Nessa experiência pude perceber quão grande era a diferença econômica e cultural. Voltei convicto do que queria e principalmente do que não queria para minha vida profissional'', afirma.
''Passar por esse período mudou meu modo de pensar, quebrou paradigmas e me fez romper com o emprego que tinha, mesmo sendo em uma empresa estatal. Percebi que meu universo era limitado. Eu teria chances de progredir, mas seria lenta e limitada'', emenda.
Ele rejeitou uma promoção no serviço público do estado de São Paulo para iniciar carreira numa empresa multinacional. ''Logo que entrei numa empresa americana, fui alocado no interior do Mato Grosso do Sul e comecei a me satisfazer profissionalmente. Vi que era isso que queria'', relata.
Hoje Tarciso Bonachella é diretor de Recursos Humanos e assuntos corporativos da Milênia Agrociências e carrega em seu currículo vasta experiência com multinacionais. ''Não me arrependo e até aconselho fazer o período sabático.''


